sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vaca Estrela e boi Fubá (Patativa)

Vaca Estrela e Boi Fubá
Composição: Patativa do Assaré
Música: Fagner


Seu dotô me de licença Pra minha história contá Hoje eu tô na terra estranha E é bem triste o meu pená Mas já fui muito feliz Vivendo no meu lugá Eu tinha cavalo bom Gostava de campeá E todo dia aboiava Na porteira do currá Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá Eu sou fio do nordeste Não nego o meu naturá Mas uma seca medonha Me tangeu de lá pra cá Lá eu tinha o meu gadinho Não é bom nem imaginá Minha linda vaca Estrela E o meu belo boi Fubá Quando era de tardezinha Eu começava a aboiá Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá Aquela seca medonha Fez tudo se trapaiá Não nasceu capim no campo Para o gado sustentá O sertão esturricô, fez os açude secá Morreu minha vaca Estrela Se acabou meu boi Fubá Perdi tudo quanto eu tinha Nunca mais pude aboiá Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá Hoje nas terra do sul Longe do torrão natá Quando eu vejo em minha frente Uma boiada passá As água corre dos oios Começo logo a chorá Lembro minha vaca Estrela E o meu lindo boi Fubá Com sodade do nordeste Dá vontade de aboiá

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Fábrica Poética

Hoje tentei fabricar poesia!
Sentei-me frete à tela
E pintei os primeiros versos...

Li e vi vazio ali!
Reli e estava alva
E de tão alva...

Eu nada vi!

Soneto de fidelidade

Soneto de fidelidade
Vinicius de Moraes Composição: Vinicius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Morte do leiteiro

Melancolia poética

Melancolia! espelho poético dos desesperados...

Os olhos tocam a superfície intacta e ultrapassam limites
A métrica? Fica sempre na primeira estação
A rima faz companhia à métrica
E a metafísica... Procura o vagão inexistente!


Eterna é a busca eterna do ser
E a melancolia se aloja no âmago da busca

E assim...

A poesia segue o humilde trilho da realidade melancólica...

Política literária

Política literária

A Manuel Bandeira

O poeta municipal
discute com o poeta estadual
qual deles é capaz de bater o poeta federal.
Enquanto isso o poeta federaltira ouro do nariz.

Carlos Drummond de Andrade (Algumas Poesias)

terça-feira, 26 de maio de 2009

e agora josé

Pobre leitor...


Pobre leitor...

O vento avermelhado soprou o ar da escuridão
e a pobreza cá dos vales rompeu a noite

Sangue nos vidros...
E as portas em completo pânico
Queridos desaparecidos
Canalhas à postos
(não, não era o apocalipse!)





Meus olhos já não sabiam fitar o além
E arma-esperança havia sido espalhada em poucas mentes
E, sem saber o porquê, meus lábios se fecharam!

Os lábios não tinham aprendido a beijar
Os olhos? Embriagados...
E as mãos... sequer mostravam o punho!

Mas a esperança estava em mentes perdidas
e quando se encontraram... a flor brotou do asfalto!

Vi o brotar acontecer...
E não houve como os olhos não se encherem d'água
Não houve como os lábios se fecharem
E as mãos... mostraram o ardente punho!

Trás dos vales nasceu a montanha vermelha...
E toda esperança se encontrou naqueles seres

Agora está aí!? Caro leitor, não sabe explicar sua história...
Seu pensamento parece obra do acaso, Deus?
Sua vida é um tabuleiro sem peças...
E continua nascendo; crescendo... E, o pior, reproduzindo!

Acreditou nas estórias contadas à sua terna mente?
(...)

Pobre leitor...

domingo, 24 de maio de 2009

Reminiscência

Reminiscência

A agonia clamou minha presença
Abrindo as portas, janelas, abriram os olhos da saudade
Percebi a doce textura de suas madeixas e seus olhos turvos

(...)

Não me serviu ainda o suicídio
Trouxe-me, porém, os primeiros instante de minha terna vida

Os olhos da saudade esbugalharam
A dor humana crescente cresceu
E meus pés hoje... Já não sabem mais o retorno

fugacidade sem dia-a-dia

Não quero o amor morno dos lençóis embaraçados
Quero a fugacidade do vento
Passagem do hoje ao dia...

Eterna busca

Eterna busca

A busca de respostas não me veio em brancas nuvens!
As pedras da existência continuaram se chocando em plena força e vigor
Deixando do atrito o fogo nascer
Coexistindo as dores humanas e meus próprios brilhos



Hoje caí
Trouxe para esse chão gélido a terrível dor humana
E, como se não bastasse o fogo do gelo, o seu calor me ofuscou
lembrei-me dos seus olhos brilhantes e pálidos e às vezes oblíquos
Mas não foi o suficiente para gerar o conforto que sonhei

[...]

Eterna é a busca eterna do ser...


O eu profundo e o nada

O eu profundo e o nada

O sentir se foi na correnteza do seu doce amor
E o campim-suave, suave flor, compôs a imensidão oceânica de um campo devastado
A dor, então, em um momento de vendaval pujança, esbravejou:
"Sou a eterna cor de sua busca!"
Abraçei-a e toquei seus finos lábios sentindo o que nos convence de nossa existência...