sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Rio em sal

Rio em sal

Acordei com dois pulmões cheios
Sem grito e engasgado
(Velha tosse seca heptassilábica!)

Aquele rio revolto
Desaguou silenciosamente

Dois meses
E dois limões
E nada
Cresceu o mar morto



Ao meu lado, porém
O velho amâncio – eterno estudante
Petiscos e levedo, consolo

Queria dizer adeus
É que as águas turvas
Aparentemente doces sem gameleiras
Salgaram meus últimos instantes


Ao grande mestre Ailton

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Ao verde vai

Preto come
Preta branco leite dá

Preto bebe
Leite branco é
Preto ao leite vai

Índio ferro foge
Ao verde índio vai
Índio ao verde vai

Branco mole faz
Ferro branco dá
Ferro manda dá

Ferro quebra ferro
Preto ferro é
Ferro preto é

Vai
Vai
Vai, ao verde vai (bis)

Cavala amarelo
Elo índio é
Índio verde é (Ao verde índio vai)

Vai
Vai
Vai, ao verde vai (bis)

Baco preto somos
Verde amarelo é
Verde amarelo é

Vai
Vai
Vai, ao verde vai

Ao verde vai

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

sonambulando

Sonambulo
Pisando cacos modernos

Pu

Ta

Ria de mim

E disseram que era apenas metal


Em gemidos constantes
Os cálices tilintam
Sem dizer nome algum

Mas não pense
Ana
E não espere
Mamãe
De quem louva só o tinto ao lado
(Mesmo diante da queda?)

Porque o copo
Cai
Que
bra

...

Entre colchões e amarras
Não darei presente
Esse inútil instante
Apenas tirarei o laço
Das lembranças
P e d a ç o s