segunda-feira, 8 de março de 2010

Quente que fumaça

Meu olhos não excluem metafísica nenhuma
E mesmo com a tabacaria fechada
Tomo chocolate

Meu ódio é só amai ao próximo
Como a ti mesmo!

Desse amor as árvores caem
E explode uma bomba no Iraque

Contaram que os corvos
Querem chocolate frio em canecas quadradas

E eu talvez nem queira que Cuba volte ao mapa
Ou que o Afeganistão perca o véu americano

Mas confesso
Que cigarro
Preso à boca de mulher aristocrática
Me excita profudíssimamente

Não, não é o cigarro
Nem o cigarro preso à boca
Nem mulher aristocrática
Mas a fumaça que é chocolate quente e café
Porque sobe beijando tudo quanto há
Faz teto, amante
E atravessa amando
Gessos, portas e janelas


Não digo que é azul aquilo que não tem cor


Mas vou azul
Quando sei quente
Quente fumaça que fumaça
Fumaça

Um comentário:

  1. o perigo e a metafísica, o perigo humano da metafísica, a matafísica do perigo humano.

    grande cena, grandes palavras poéticas

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