terça-feira, 23 de março de 2010

Terça de endoscopia

Terça-feira de oito endoscopias
(O mundo não se traduz em sentimentos!)
Talvez o furo na camada lisa do duodeno
Tenha mais sangue que cruz às costas de judeu
Seja mais forte que sofrimento latino em noite veloz

Kubrick arrasta a laranja mecânica impiedosamente
Deixando apenas o alaranjado gástrico dominical

Baleiro, profeta do inevitável!
Olho para baixo e não vejo o macho
Tesão virou barriga
Pensando passado
Não consigo distinguir se era doce ou cinza ou maçã
Mas quando ergo a cabeça
Em busca da tola esperança que conduz os mortais
Vejo apenas o véu grego em pedaços

Carrego meu corpo rumo a terça de endoscopia
E mais uma vez corro à tabacaria
Devia esquecê-la?
Pensar na impossibilidade de tabacaria no Brasil
(Clima e condições sociais)
Mas não, quero alçar voo
E só sinto o peso terrível de minha incredulidade


Terça faminta
As lembranças me povoam
Sinto apenas o gosto dos pés que não toquei
Diria que mulher se trata em correntes?

Hoje Álvares voltou a reinar
E não queimei as bruxas de salém
Nem transei com o moça da pensão
Porque meu estômago aberto
Tragou as veias de uma américa cortada


Americano e veloz
Com todas as bruxas em pensões medievais - vivas
Vejo um judeu fumando defronte à tabacaria
(a cruz judaica está escondida aos fundos!)
Projeto-me ao centro da rua
Fazendo endoscopia em tabacaria e pensão

Um comentário:

  1. percebo nesta poesia toda a condição humano colocada dentro de um pespectiva de sus fragilidade, não a penas de sua fragilidade biologica como um tranpolin para trazer a reflexão sobre a fragilidade na sua condição humana, essa fragilidade vem descurtinada na questão que esta nas intrelilhas da alienação e do estranhamento dois conceitos que estão em uma relação de interdependencia que nos ajudarão a compreender o caminho trilhado pelo individuo na atual relação social de produção que este é o ponto central que no remete este poema. pois, a alienção que quer dizer eu crio mais o que eu crio não me pertence e mais, o que crio passa a me subjugar e a me domimnar e minha criação passar a ser estranho a mim mesmo, a vida que vivi não me pertence não tenho controle sobre ela, dá mesma forma que não posso ter controle sobre minha condição biologica estomagão, então crio um deus que jora seu sangue na cruz para me libertar dessa vida alienada, só que este deus também é minha criação alienada e estranhada que passa e me submeter e a me dominar de uma forma cruel e tira, como as relações sociais de produção. a condição humana coisificada e objetivada que impendem que o ser humano seja humano, essa relação entre eu e os outro são apenas e meio de destrutividade em prol de forças externas criada e alimentada por um trabalho alienado que estão intricico e que pespaça todo este poema,nós tráz essa reflexão. ney gonaçlves.

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