sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sábado de fazenda

hoje estou vestido de sexta
abro minhas pastas
para saber que as camas não foram feitas

deixo a porta aberta (sem razão alguma)
deitado na cadeira que permite apenas o sentar
engato sexta
e sou café em almoço

hoje é sexta-feira
e, ironicamente, estou de sesta
o xadrez pula à tela
meus adversários são queridos amigos de sangue
e a casa cheira daniel de foto e (são olhos negros de ouro!)
e digo: a sala é toda minha infância, digo

sou hoje um contista
quase um romance
resolvi paralisar meu momento de poltrona
para sonhar entorpecido

hoje as drogas são segunda
segundo ou último plano
e minha sexta já é toda sábado de fazenda

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Jesus sorriu

Verdade falsea qualquer verdade nua
Mergulhada num passado obsoleto

Meu coração é circunferência perfeita
360 homéridas estão inscritos em mim
Mas não há gene de graus
E nenhum discípulo
Declara meu nome em vão

Eu, Aquiles, não choro!
Meus passos estremessem grécia
Moderna, antiga
De ouro ou deuses

Sou Aquiles e Héracles
E me nasceram Jesus
Filho de Zeus (javé se quiser)

Mãe não é promíscua
(não pode ser!)
Só desposa Zeus
E ama um safado dito santo

Aquiles da galileia
Sou Jesus da Jônia
Héracles de Maria e José

Minha Ilíada não tem homéridas
E Paulo foi expulso da bíblia


Sou Zeus
Pai
Filho
E meu espírito
Pode santificar sua mãe

Mas não me faça rir
Com redenção de humildes

Aquiles entra em transe
Quando Jesus e Héracles
Salvam tolos do paraíso

volto pound

história é sangue
num corpus circular
dados passos largos
às vezes
curtos
vou

e volto
sempre diferente
sou néctar carregado
de flores diversas

Não passo de um masaico sem cor
de versos alexandrinos
voo

mas quando desço
minha caminhada é corpo poundiano

sábado, 24 de abril de 2010

de cabelos caramelos

não quero chocolate!
sou belo o bastante
e tenho cabelos caramelos

Morrer é viver só
num sábado de fazenda

penso epopeia
não cheiro poemas
sou o outrora
(degustei todo caramelo!)

Meu amor foi um pequino amor meu
reminiscências de vidas
instantes passados


Canto como criança com sono
fabiano de graciliano
e qualquer amor forçado
de caetano a leoni
me faz conduzir um andor!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

veiga, gonçalves e edgar

minha terra não é plantiplanto
nem tem sabiá
os gatos que aqui me assustam
são pretos como os de edgar

poética de tolo

poética de tolo


nietzdamente via agora
vou derretindo o devir

pré-homérico é mourão que separa mar
e não há nada mais antigo
que susana em elegia de cárcere

não só!

fosse helena ou alice
por homero, gerardo ou alencar
seria todo de mello
e ao mourão que separa uma invenção
dançaríamos joyce e eu

meu palimpsesto é mais uma poética idiota!


estático
completo
fechado
sou que não nasci

espaço de romance é memória não escrita
e lírica continua em guardanapo amassado

o que antes
epos
derrama no devir

lençol de sexo

a cama sente sexo
a tarde fosse mesmo azul, drummond
não fosse o pôr do sábado

lençol embriagado nos seus embaraços
hoje
sou só calor e lembranças

cresço entre os gemidos dos velhos
enquando vendem a casa
voo em deleites de outrora!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Subway das calaças goianas

Subway das calaças goianas


Minha preocupação é mãe de Thaís enlouquecida

Ainda criança

Sonho adulto conversando patos

Meu sono vive plantiplanto



Sonho criança crescida e barriguda gritando papai

Mamãe lendo Alice e rindo Chaves

Mamãe é Alice e dedo e fechadura

O dia de semana tem gritos à noite



Meninice é bananeira gigante ou pé de feijão mágico

E racional é lirismo sem dor

Tomemos a fórmula dum anão

Pra ir blues em calçadas goianas

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mito, não contaram tudo

Mito, não contaram tudo


Disseram frio

Leve agasalho (mas não falaram tudo!)

Vinho e frio e pamonha e churrasco e bolo quente e monte e gente


Vinho, frio, pamonha, bolo quente, monte, gente


Vinho

Frio

Monte

Gente

Quente


Vinho frio e gente quente


minto, já sabia o que aconteceria!

Produção coletiva: Luciana, Rodrigo, Marcos

domingo, 4 de abril de 2010

Ouriço!

Ouriço!
Mas minha casca é fina, quebra facilmente

Não sei se era pirâmide
Ou Faraó ou Egito
O oriente é matéria que não sente dor

Daqui
Tenho pele e amor e sofrimento

Sou casca fina
Pó dilacerado se quiser

Seu sorriso vem irônico
Mesmo sabendo que do outro lado
Fora da pirâmide
Dentro da pirâmide
Há matéria que faz mortal se apaixonar

sábado, 3 de abril de 2010

Sábado sem álcool

Não há como brincar de garrafeiro – Sumiram minha adega
E os amores solaram o tempo
Todos se desmancharam em copos passados

Meus braços não querem o mundo em pedaços
Hoje a poesia é Bandolins
Trinta vezes e sou só Bandolins

Vão tirar sarro de você que brinca de simcity
Que espera a fala deles
Que procura um candidato
Uma igreja
Uma mulher



Carlos
Moderno não tem fé e não pode se comover como um diabo