sexta-feira, 23 de julho de 2010

sal em Maiakovski de mim

uma lágrima me vem à boca
gosto salgado do devir como barulho ensurdecedor do passado


eterno é Chico, é Jamesson
Buarques confusos em identidades coletivas
vou-me em subjetividades alheias
(conversas de vinho em meio-fio qualquer)
e pulso como sexo de mulher excitada
creio na libertade como libertinagem humana
retorno a Jamesson, a Chico


apoio naqueles que executam revolução
infelizmente não há roda de samba hoje

-troia é Goiânia onde morro!



Vejo-me à esquerda de nietzsche
à destra de Lacan
de mãos dadas com drummond

olhando os que se mexem
anônimos que vomitam Marx sem conhecer xadrez
ouço todo horror russo
toda limitação cultural chinesa
(kundera quer sua leitura, maiakovski não encontrou culpados!)


munido me vou em dias de noite pela Grande Marcha
liberto-me nas resistências alheias
-libertinagem hippie quebra qualquer bolsa de valores

meus ideais cristãos tornam-me a Dante
o inferno medieval é o purgatório renascentista
o inferno de hoje são lágrimas de Salém

reprimo-me ao som barbudo de Beethoven
sou quase surdo à angústia
mas há sal em maiakovski - Há culpados em mim!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Indecisão

Indecisão


Trabalho, escola, casa,
são um dos ambientes que requerem algum tipo de decisão
Mas estou aqui mais uma vez sem o mínimo de reação...
Não importa muito quais as consequências,
Pode ser por causa de minha adolescência
Sei que um dia serei adulto
e que pra isso terei que seguir etapas
e da vida levar muitos ‘’tapas’’,
para alcançar a minha maturidade
e sair dessa indecisão
de minha tenra idade.
Logo quando eu passar
dessa fase de intensa loucura
Terei que ser um homem decidido
porque futuramente serei uma
espécie de exemplo a ser seguido,
mas tenho certeza de que
pra essa minha louca indecisão
logo encontrarei a reversão!


Luiz Mauricio Rodrigues de Almeida

sábado, 17 de julho de 2010

pernas cruzadas e olhos soltos

estou sentado como quem caminhou léguas e teve vertigem
sentado como se houvesse vida-deus além de mim
minhas pernas cruzadas apontam direções

--devo segui-las? qual?

hoje me permito água diante de minha paralisia


talvez fosse ao chão se quisesse me levantar

--sou burguês sem acúmulo?


depois do sono matinal - o sexo ainda não veio
não consigo deixar a desordem interna conexa
minha visão se limita à cozinha de portas abertas
(todas as chamas estão acesas)


solto os olhos...
lembro-me do asfalto que passa onde a vista não alcança
sei que os carros se movimentam em plena força e vigor
e os pássaros - daqui os ouço
continuam a cantar


não me darei aos vermes agora
sentado há em mim toda anarquia de um comunista que diz amém

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Bêbado como Álvaro de Campos, Consciente como Poe

Meu ápice!
a gota do orvalho gemia a queda
mas fui surpreendido por sua fala

Pensei sobre mim:
--Destino poético é curvar-se aos poemas
--Frustração não resiste ao álcool
--Vida se acha em braços de livros abertos
(pensamentos medíocres!)

Conversa lúcida é poema de quem escreve bêbado
Por isso sou Poe ao lado seu, querido Campos


Passeio pelas nuvens espassadas da realidade, sem medo
E sua voz me vem como rio vermelho contemplando o céu
Das correntezas
Ouço cora, ouço você!

Sem distinção entre mim e ti
Entre ti e o outro
Somos leves barquinhos no rio da vila sem volta

domingo, 11 de julho de 2010

FRUIÇÃO E FUGA

Vento fortuito de mente vazia pretende parir um canto poético



À luz,
O ar ultrapassa dedos entrelaçados

Minha mão segura o que é me é possível
-- Caso não houvesse resistência
Meus dedos sucumbiriam
(profecia do inevitável!)

Sinto o atrito da fruição e agarro firmemente o que não dissipou



Mesmo seguro de mim
Dispo-me de possíveis extravagâncias, eternamente

sexta-feira, 9 de julho de 2010

por que diabos há versos ainda?

Havia um encantado que dormia no chão defronte ao motel
Outro, ao lado do primeiro, simulava a própria morte sem sequer respirar
Eu, que respiro e não sou encantado, escrevo versos sem por quê
Talvez para solucionar velhas questões de pessoas novas
Mas se as respostas são variáveis (isso é quase uma verdade!)... por que querê-las?



Escrevo para não ser mudo tendo língua e fala
Pode ser que meu pesadelo seja a mudez
Todos versos são a prevenção dessa mudez futura
Que virá em morte ou vida evasiva. Virá!


Sou quem procura ouvidos
Mas minhas ideias são tolas e não atraem nem a mim
Atrai quase ninguém
Mas se atrai alguém
pode ser o motivo primordial de existir

Como poucos se dão à arte da escrita
Faço parte de uma minoria
Sou bicho exótico do cerrado, talvez

Por que alguém simularia a própria morte defronte ao motel?
Mais uma pergunta sem por quê
Estão ali, os dois
Nada encantado e aquele que respira

Eu, que parado sou peixe de olhos abertos na terra
Procuro-me em duas pessoas que não têm existência nem sabem de mim (será?)



Devo dizer:
apesar de prolixo, não estou bêbado

Não sei o porquê de escrever
nem a razão da existência imaginária de um motel e duas pessoas defronte
Ora encantada, ora não... ora vivo, ora morto
melhor seria me calar
porque se há poucos que me leem
não devo torturá-los com meu vazio

cuidado poeta, a noite cai!


Cuidado poeta, a noite cai!


Defenda-se impetuosamente da noite:
Calvino deve permanecer aberto
perto da Tabacaria
pois o cavaleiro se materializa fumando charuto
quando menos se espera
passa Taverna adentro
e come, carne e osso
a dona da pensão

Ahhhh...
e não é Macário
nem mesmo o Diabo
mas meu velho cavaleiro inexistente
(Cervantes morreria de inveja!)


Salve o que escreveu
encante sua Alice para que ela não fuja num pesadelo
e, ainda
não confie na criatividade dos sonhos
nem sempre somos abençoados



A noite sucumbe qualquer ser, orvalho enxuto sem por que!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

antigos rituais

À procura de rituais para não mergulhar no nada
Não quero dormir para não ser incosciência de sono, às vezes sem sonho
Talvez militância seja uma barreira à fragmentação
como a adega do avô que não tive

Há muito louvo o poder dionisíaco
mas confesso
amo só o que me faz acordado

Xadrez entorpecido é a simulação do comunismo!
mantenho-me vivo e sou peões e marx e torres e engels
no meu tabuleiro não há lugar para bispos
Amai ao xadrez
pois dele é a luta e o amor
(profecia popular: todos peões serão coroados!)
Mas não se esqueça do álcool das greves

álcool e xadrez e militância e mulher
minha resistência ao fracasso
um passo rumo à completude, minha resistência ao caos



À pós-modernidade
valho-me de antigos rituais

entre insônia e pensamentos


Hoje quero tudo que tenho
(um quarto repleto de insônia e pensamentos)


Minha sorte continua em livros velhos de sebo fechado
Ou em livraria burguesa que se compra sem pagar

Barbas crescem entre contas delirantes
mas é Beethoven que maldiz o sono
enquanto transo comigo

Não era dia de poemas
nem lua cheia ou álcool
mas ao som do vento
(não descarto a fumaça do cigarro que não fumo)
os versos nasceram entre dedos dormentes

Até greve de sexo é pintura infantil
Sete meses não passam de um dia

Não
definitivamente não sou poeta!
a brisa torpe não me convenceu

Sei que Ipanema voltou
Alice apareceu
e meu deserto
hoje
não cabe num poema!



A Fernanda que me ensina a viver!

domingo, 4 de julho de 2010

i'm just a new boy

Prostrado
o quarto ouvia o gotejar incessante
(é só um banheiro repetitivo...)

Drummond desata num só momento, instante
e a revelação do ontem é o meu agora



sem nenhum pudor
ponho-me a sentir a cama

dois olhos fundos
cravam em minhas entranhas

Sem direção
lábios entrelaçam gemendo o sabor vivo do sexo
(conversa de pássaros!)
são lábios pulsantes à espera do gozo

...
...
...

Today
I'm a young lust
with my sweet-dirty woman