sexta-feira, 23 de julho de 2010

sal em Maiakovski de mim

uma lágrima me vem à boca
gosto salgado do devir como barulho ensurdecedor do passado


eterno é Chico, é Jamesson
Buarques confusos em identidades coletivas
vou-me em subjetividades alheias
(conversas de vinho em meio-fio qualquer)
e pulso como sexo de mulher excitada
creio na libertade como libertinagem humana
retorno a Jamesson, a Chico


apoio naqueles que executam revolução
infelizmente não há roda de samba hoje

-troia é Goiânia onde morro!



Vejo-me à esquerda de nietzsche
à destra de Lacan
de mãos dadas com drummond

olhando os que se mexem
anônimos que vomitam Marx sem conhecer xadrez
ouço todo horror russo
toda limitação cultural chinesa
(kundera quer sua leitura, maiakovski não encontrou culpados!)


munido me vou em dias de noite pela Grande Marcha
liberto-me nas resistências alheias
-libertinagem hippie quebra qualquer bolsa de valores

meus ideais cristãos tornam-me a Dante
o inferno medieval é o purgatório renascentista
o inferno de hoje são lágrimas de Salém

reprimo-me ao som barbudo de Beethoven
sou quase surdo à angústia
mas há sal em maiakovski - Há culpados em mim!

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