sábado, 17 de julho de 2010

pernas cruzadas e olhos soltos

estou sentado como quem caminhou léguas e teve vertigem
sentado como se houvesse vida-deus além de mim
minhas pernas cruzadas apontam direções

--devo segui-las? qual?

hoje me permito água diante de minha paralisia


talvez fosse ao chão se quisesse me levantar

--sou burguês sem acúmulo?


depois do sono matinal - o sexo ainda não veio
não consigo deixar a desordem interna conexa
minha visão se limita à cozinha de portas abertas
(todas as chamas estão acesas)


solto os olhos...
lembro-me do asfalto que passa onde a vista não alcança
sei que os carros se movimentam em plena força e vigor
e os pássaros - daqui os ouço
continuam a cantar


não me darei aos vermes agora
sentado há em mim toda anarquia de um comunista que diz amém

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