domingo, 29 de agosto de 2010

incertezas escritas

é horrível perceber falsidade em mim


hoje não tenho necessidade de esconder a vida
não sou ateu, nem creio em deus - inexplicável é esquizofrenia desconhecida

meus deuses são absurdos encontrados
-um carro estraga, sou o único por perto
-alguém teve um sinal de timidez: soluciono a problemática neurolinguística



vi alguém morto... conversei e ouvi sinceridade em quem não parava de falar
ao lado, outrem calado nos observava
eu que não estou morto, mas vivo pouco... parecia morto de ternura

hoje, estou livre do aperto abdominal
sinto, porém, um mundo em minha boca, e dói
dói que esqueço de mim

tive medo da patologia do XXI
percebo: é depressão esquizofrênica de impotência

não quero escrever algo tangível, delimitado
minha cerca é arme farpado não esticado
minha moleza permite ultrapassar o além-mim
o arame é mole como minhas incertezas

hoje saí... olhei ao campo e vi colírios incompreensíveis
reli meu eu nas vaquinhas e peixes e crianças presentes ali
meu mundo é barro de qualquer animal
estou espalhado em capim seco, quase morto ou morto

fui cidade e sonhei minha industrialização
mas campo é parado como sedução de jovem impotente
o sexo dos animais é meu prazer estimado

deixando incertezas escritas
durmo águia sem presa
agora, sem pressa

sábado, 14 de agosto de 2010

dias de greve

Minha ideia é cansaço, rejeição e luta

-olhos de greve também derramam lágrimas!

Hoje passamos em escolas como quem amola alicates alheios
Nossos pés doem CMEI's que funcionam; carros são movidos à força de greve
Enquanto gargantas gritam apelos a quem não ouve - são couraças ameaçadas - a canção continua


É que a solidariedade docente transforma inocência em rebeldia - besouro em homem!
E, os dias de luta, as ameaças impostas... são pegadas à vitória

domingo, 8 de agosto de 2010

Insistência

Insistência


Portas fechadas,
caras amarradas,
argumentos,
juramentos,
mãos atadas!
Mas a esperança
de portas abertas
com hora marcada.


Luiz Mauricio Rodrigues de Almeida

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pronto?

O poema não está pronto!
não está pronto o poema
definitivamente, não está pronto
(foi só paixão, sinapse ou inspiração)


Gemidos de frases perdidas ecoam - insuportavelmente!
a literatura é feita de escavações profundas
entre atritos, a poesia popular reaparece nas bocas dos muros:
-vírgula limita centímetros de poesia?
-rimas são capazes de destroçar algum eu?
-racionalismo não é inconsciência da alma?



Às vezes,
a poesia é insuportavelmente autoritária
grita de vários versos
tantos belos versos que o poeta se desarma
em seguida,
são apenas escravos ignorados - palavras certas como dentes brancos!

Confesso,
não posso ouvir todos em mim
não sou poeta estadual ou federal, mas decido versos
procuro maioria em mim
e, quando não me encontro
sou eu sem mim!

domingo, 1 de agosto de 2010

pErSoNaS

Por que retorna sem avisar?
(sou acompanhado do distinto aperto abdominal!)
hoje nenhuma lágrima desceu à boca,

Felizmente,
Todo conflito se resolve em greve de junho
bela, radiante, aparece inesperadamente...
mas o macho já é velho homem macho
e o vinho já sofreu metamorfose, tornou-se vinagre,

Infelizmente,
Em ondas reaparecem nódulos perdidos, espalhados
chorei num grito de orgasmo
e deixei seus braços em braços abertos, relações pervamistosas
agora, meu estômago flecha a boca,

Calo-me,
À meia noite o toque do celular acompanha o disfarce
por que camuflar sua inconsciência?
apesar de ler mentes alheias
continuo aprisionado em páginas antigas

Ontem, ouvi perguntas sobre comédia humana
exijo respostas à polícia russa
eu, ditador de mim, exigo respostas...