domingo, 29 de agosto de 2010

incertezas escritas

é horrível perceber falsidade em mim


hoje não tenho necessidade de esconder a vida
não sou ateu, nem creio em deus - inexplicável é esquizofrenia desconhecida

meus deuses são absurdos encontrados
-um carro estraga, sou o único por perto
-alguém teve um sinal de timidez: soluciono a problemática neurolinguística



vi alguém morto... conversei e ouvi sinceridade em quem não parava de falar
ao lado, outrem calado nos observava
eu que não estou morto, mas vivo pouco... parecia morto de ternura

hoje, estou livre do aperto abdominal
sinto, porém, um mundo em minha boca, e dói
dói que esqueço de mim

tive medo da patologia do XXI
percebo: é depressão esquizofrênica de impotência

não quero escrever algo tangível, delimitado
minha cerca é arme farpado não esticado
minha moleza permite ultrapassar o além-mim
o arame é mole como minhas incertezas

hoje saí... olhei ao campo e vi colírios incompreensíveis
reli meu eu nas vaquinhas e peixes e crianças presentes ali
meu mundo é barro de qualquer animal
estou espalhado em capim seco, quase morto ou morto

fui cidade e sonhei minha industrialização
mas campo é parado como sedução de jovem impotente
o sexo dos animais é meu prazer estimado

deixando incertezas escritas
durmo águia sem presa
agora, sem pressa

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