segunda-feira, 13 de setembro de 2010

negr'alma

mente vazia, filme mudo
aburdo, mente como telhado desabado
alma firme descapada

besouro como metamorfose humana
(mulher jubaleão!)

enquanto morro (umbando ri!)
soulidão soulitária
soul só zinhozinhozinho

-

poesia de chamas num cerrado de caos



bando que canta
que bota a casaca
amassa a terra
quebra o galho torto
intorta o caldo

vou só numbando qualquer

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

viva o cerrado/ metrificado

Universo cerrado/
em serras coroado/
visito-te/
quer em mim, vou em ti/
voo-que-me-vi/


Bem-te-vi/
canta aqui/


grita bem-te-vi/
pássaro preto/
gaivotas daqui/
canta canarim/

meu ouro não é preto/
nem tem minas gerais/
mas brilho nas árvores/
tortas do meu goiás/


Goiás traçado delimitado/
Não quer inútil meu grito sertão/
Para viver meu sossego d'alma/
Hoje a métrica serrou o cerrado/

palavras negras

mente vazia, filme mudo
aburdo, mente como telhado desabado
firme soul, descapado

besouro é metamorfose humana
mulher jubaleão

enquanto morro (umbando ri!)
soulidão soulitária
soul só zinhozinhozinho

-

projeto poético
palavras pretas
preparação ao caos

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

infinito até o fim

permaneço parado e me vejo pouco - meu poema é espelho trincado
sou fracasso orgânico - trangênico plantado em larga escala

minha confecção foi feita às avesas
confissão de mãe: sonhava menina para nascer macho!

um macho loiro, radiante
plenitude infantil, beleza infinda

os anos passaram espinhos - já tenho máscaras que se confundem a mim
ora, grito feliz à guerra dos excluídos - juntos com os excluídos
mas meu gemido é estrondoso sonlitário

não entendo bem,
sou otário falante em rodas humanas
carência que cheira à tarde sozinha de cafezinho e xadrez



estou como todos os dias, no mesmo lugar
plantado, petrificado em minha redoma


procuro gigantes ânsias de felicidade, mesmo em vidros de solidão
minha paralisia atrái avalanche de lágrimas
há doce gosto em quem chora poemas
há mar socorro em quem me salga com a leitura