quinta-feira, 2 de setembro de 2010

infinito até o fim

permaneço parado e me vejo pouco - meu poema é espelho trincado
sou fracasso orgânico - trangênico plantado em larga escala

minha confecção foi feita às avesas
confissão de mãe: sonhava menina para nascer macho!

um macho loiro, radiante
plenitude infantil, beleza infinda

os anos passaram espinhos - já tenho máscaras que se confundem a mim
ora, grito feliz à guerra dos excluídos - juntos com os excluídos
mas meu gemido é estrondoso sonlitário

não entendo bem,
sou otário falante em rodas humanas
carência que cheira à tarde sozinha de cafezinho e xadrez



estou como todos os dias, no mesmo lugar
plantado, petrificado em minha redoma


procuro gigantes ânsias de felicidade, mesmo em vidros de solidão
minha paralisia atrái avalanche de lágrimas
há doce gosto em quem chora poemas
há mar socorro em quem me salga com a leitura

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