quarta-feira, 9 de março de 2011

casanaval

tem uma casa perdida
no Itanhagá ou Buenópolis, na ponte entre Goiás e Gerais

onde o coração toca em compasso tímido
os ventos têm som de azul-marinho

porta adentro e de volta aos quinze de cachoeiras
ou aos dois-anos-de-mamãe

é lá que se ouve mesmo o que não é dito!
as paredes, sempre de pé, mas de ouvidos limpos

o aconchego está nas telas, folhas secas prontas a pintar
no vinil que espera sossegadamente o momento de tocar

o banho, demorado como é, esteriliza as ceras e limpa os dentes
é de quando em quando, sem dia nem hora certa, que se banha

contam que essa casa está debaixo das águas - exatamente na divisa dos estados
casa-náufraga que desliza vida abaixo

é da casanaval que vim-e-vou
sem hora certa, nem dia anunciado!

Um comentário:

  1. Deitar-me-ei nos lençóis de setim, brancos como as águas límpidas que correm sem destino e me jogarei ao penhasco da aceitação, áquela íntima.

    Ms. Regner

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