sábado, 30 de abril de 2011

mais valia do gozo nenhum

de segunda a sexta
trabalho-trabalho e gozo nenhum
trabalho-trabalho e gozo nenhum
trabalho-trabalho e gozo nenhum
trabalho-trabalho e gozo nenhum

sábado:
compras pela manhã
dentes, cabelos e unhas - pronto?
à noite: ereção já
uma gotícula de esperma e o sono (nem sempre há gozo e sonhos)

aos domingos - murmúrio, penumbra e provas

fim do mês - todos se lembram do salário minguado

virtuosidade nenhuma

cruzaram meus braços e fui amordaçado
meus livros, mesmo aqueles não escritos
putos como são
foram ateados fogueira adentro

repito: não há redenção!
incômodo ou não: não há redenção!

enquanto as gargantas continuarem apredejadas
e os cérebros desviando de tiros alheios - líguas em nó!
todos regurgitarão o mesmo vômito
vão expelir a mesma merda, sem nenhuma virtuosidade

Fomos devorados
e não é de hoje que o amor morreu
é bem pior! até mesmo o medo
sucumbiu

segunda-feira, 18 de abril de 2011

da merda à flor

é preciso sair da couraça
ir até o lixo imundo de si
transgredir: do guardanapo amassado à poesia
do medo ao grito ferino
da merda à flor...

é preciso abrir a porta
a dor de estômago ou de coração ou d'alma não são chaves
mas trazem mensagens

novamente:
é preciso sair do casulo
ser borboleta leva tempo, não dinheiro
é gosmento, não há lucro
nojento e sem recompensa

quero as mensagens
não aquelas psicografadas por almas de autoajuda e caridade
são do fundo do lixo, da lama, da cera
da remela, da merda, do caos
de si!

outra tentativa:
é preciso estar em si
romper a couraça
sair do casulo
olhar à merda e ver a flor

domingo, 17 de abril de 2011

sem contingência

num hei de duvidar mais
a certeza é a vida em si
não há contingência alguma no azul celeste - resolvo tudo numa baforada de cigarro que não fumo
sou, de agora em diante, braços, pernas e alguns fios de cabelo

sou um, dois pés descalços
dedos calejados pelo violão esquecido na escola
sou calos de academia
cabelos não cortados - e também os já cortados, não esquecidos!

já não há rendição, religião ou metafísica de merda nenhuma
li ontem que hiroshima voltou em fukushima
meus olhos leram
são dois olhos sem lágrimas, e só!

metafísica nem merda nenhuma!
filosofias de banheiro, de Zé ou Jurandi, são merda, a mesma feita em terminais
e sou mesmo máquina de confeção de bosta, preta, barrenta
sou fábrica de fios encaracolados de cabelos, de bosta ou unhas desfiguradas
cheiro de axilas sem banho,
de unhas engrecidas de fezes
ou pau após a ejaculação

sexta-feira, 15 de abril de 2011

só-de-sexta-em-casa

Só em sexta de casa
fiz amigos facilmente
do boteco ao lado saltou uma cerveja
da tela, um xadrez em guerra: reis a bolar ideias tantãs

Foi, entretanto, o guardião da noite quem sobressaiu
um zé, comum, de Zeca travestiu-se
e até me vi entre ramalhos, bailando...
em montes negros os bandolins davam cordas à bailarina, perdida de amar



a triste alegria sobreveio, cantarolando, bailando...
bebi
cantei
bailei
mas só o sono se revelou capaz de gozar de mim

sábado, 9 de abril de 2011

Quer'ela

Mistura nada homogênea de cores
lisbela

aquarela d'alma prolixa
quer'ela

Ela, simplesmente ela

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Não é que eu seja certinho
ou busque realizar ações santificadas...
na verdade, o que prefiro é cometer extravagâncias e excessos a meu modo...
ou ao menos de outro modo...

De Luciana Castro

http://lcastro-enfim.blogspot.com/

Diga AMÉM

É só na fala desmedida que se desmente um senhor

Não se iluda: corpomente!

Silêncio no meu dicionário é sinônimo de dor

"enfiai uma agulha no cu e outras coisas vos serão acrescentadas"

Se faz do amém seu companheiro de viagem
Procure um formigueiro ou o Exército de Cristo
Sente-se numa cruz pontiaguda e espere as primeiras picadas - formiga ajuda a visão
Antes de continuar viagem
Cabisbaixo, diga AMÉM!

domingo, 3 de abril de 2011

uma grande piada sem sabor

Fui embalado por ditos de outrora
tortuei-me numa adolescência dezesseis
aberta de úlceras e manifestações de rua

Certa feita, deitei-me numa cama alheia
e ouvi que vivia em desejos de outrem
tentaram, mas não me veio boas novas

Noutra festa, percebi trapos em mim
engraçado, ninei meus desafetos
insuportavelmente durmi numa ternura quase inútil

afundo em meus abismos
faço daqui um espetáculo de humor
entre-tanto-dessabor

e vejo, ainda mais nítida
a necessidade de esbravejar
tudo que não se silencia
tudo e só, rindo

sábado, 2 de abril de 2011

Ouro é de tolo, Cora de Goiás

sei que a tolice desfaz cada palavra dita
mas algumas ideias de veia
são velhas de corar a face
que nem Cora que revive Goiás

reencontro vermelho, um rio seco desossado
cortado pela ponte - aquela que se esconde cartas ao primeiro amor
casa de um lado, rio que corta
do outro, o mestre
padre
pai
errantes, de palmatória e sandálias franciscanas - Amém!

íamos de mãos dadas, minha professora e eu
enquanto o futuro estava nos braços pesados de São Paulo

fim!

retorno a Goiás
dilacerada
mas, iniciada
ressignificada pela escrita