terça-feira, 31 de maio de 2011

Cachorro Maldito

Poema de Diego El Khouri sobre uma conversa-sarau que fizemos em Santo Antônio de Goiás. Confiram o blog: http://molholivre.blogspot.com/
Vale a pena conferir "molho livre" e "cama surta"

AO CACHORRO MALDITO
(Por Diego EL Khouri)

(Ao Marcos Alves Lopes)

Da merda que Marcos fala
a merda pura
e concentrada
é merda real e abstrata
essa merda que ele fala.

Merda com feijãozinho preto
cagando em noites de luar
e desejo.
Merda com pedacinhos de milho
mastigada pelo seu próprio filho.

Merda que fala Poesia
aquela que ele chama Vida.
Na chama que chamisca o dia
Merda pendurada
do lado de uma solitária pia.

Ó Merda que vos fala
ó Merda que ele fala
ó Merda que eu falo
semelhante ao meu falo.

Falo que não fala o que falo
que eu cago e cago na lata
cagar porçãozinhos de amor
do cu desabrochando a flor.

Merda assim merda assada
a Merda que o Marcos fala
é poesia abstrata
terreno profético dos dias
essa merda cantada.

Legião Sem SALvação

REstart, de novo

REfigurar
REformar
REfazer
RESgatar
REtificar
REtardar



REligião,
LEgião sem SALvação

sábado, 28 de maio de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

quê amador

quando
nada mais emocionar
nenhuma lágrima correr
haverá
entre multidões de mensagens enviadas
a banda mais bonita da cidade


que vem e cora
em canto de desabar
no amor raro, caro
ainda não vivido, sequer ouvido
como um encanto poético de oração

num resumo de milhares de vidas
a ruir contradições, a criar novas oposições
e ver na vida sem gozo
ou mesmo no inumano que goza
na merda que transborda
um quê amador

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Veja toda gente

Sírio Possenti
Ensina a gente
Da globo, principalmente
Que o errado não é inadequado
Que o certo, tão vomitado
É só um jornalista desinformado


Alexandre Gracinha
Leia possenti
Que fala
A gente
Não mente e diz oxente

A morte de Luciene Moreno

Morreu ontem Luciene Moreno
Funcionária da limpeza da Escola Municipal Geralda de Aquino
Vítima do super-faturamento da merenda escolar
De sindicatos mortos - vivos apenas para os próprios anseios
Vítima de políticos-sanguessugas
Imprensa com placa de "quem paga mais?"
Igrejas deus-quer-seu-pouco-seu-tronco-seu-troco
Atestado de óbito para leigos: câncer no sangue





Luciene, não foi vã sua vida!

sábado, 21 de maio de 2011

ordem natural das coisas

lá fora
ruas rangem dentes cariados
afiados, prontos a mastigar pele aristocrática ou plebeia
ônibus desfilam ao caos
entortam avenidas, enquanto bueiros de gente transbordam

os parasitas, velhos parasitas
homens e mulheres
desgovernantes que desviam rotas naturais
destroem postos primitivos de trabalho
e não arredam o pé da merda-capital

eu
nessa singela casa
em-sábado-de-gozo
numa cama amiga
sinto ranger unhas felinas no estômago - estou vivo!
vejo corpos que gemem estirados sofá adentro

há humanidade suficiente ainda
exige presença e clama passagem
esquenta cada homem derretido
a história que retorna num redemoinho
volta fazendo um novo curso
alheio ao mundo, e natural a ele

nessa casa-sossego
as janelas estão abertas
como cão sem dono
ou num suicídio coletivo
as ideias são arremessadas a cada gole de álcool
propagam, bueiro a bueiro...
alimentando olhos, um tanto ébrios, mas sedentos de humanidade





Poema dedicado ao apartamento-casa de Heliany, grande amiga, a Renato, Ariel e Guilherme. Também, a gloriosa manifestação ocorrida na noite de caos (ou ordem?) de ontem (20/05/2011), no terminal Padre Pelágio.

au-au-au-au

Jornal
canal
teatral
irreal
banal

au-au-au-au






Produção coletiva:

Eu e Luiz Maurício

sexta-feira, 20 de maio de 2011

a(d/m)or

que a mim
a meu modo
e a ti também
nos lambusemos no/a (d/m)or

quinta-feira, 19 de maio de 2011

curti-dores

CURTI-DORES



Venham, curti-dores
no caos da incerteza
ainda é possível amar

venham, que é ela
a dor,
o sintoma capaz de nos acalentar


num peito que dói
no estômago ardente
ou na igreja de deus
anuncio o gozo

que o gozo não é de um
não é privilégio de deus
nem mérito do diabo
é gozo e só!


apresento-lhes, enfim
o amor
o gozo do amor
o gozo pela dor


porque
à nossa maneira
nos lambuzaremos no/a (d/m)or

quarta-feira, 18 de maio de 2011

ah!

há momentos
que tendo o que dizer
eu me calo

haverá o dia
que diante do horror
silenciarei?

homem-bomba

sentado à mesa
numa escola
sem aulas
ao lado de tantos colegas
professores
alguns até belos
outros adormecidos, desejosos por uma boca cheia de dentes

iniciamos o banquete:
pena de morte, já!
bandidos em corpos de alunos - ouvi

eu, que não queria comparecer ali
fui convocado
relutei
remexi
acabei gritando como muitos deslocados

a mim, apesar da guerra declarada
não coube convencer alguém
mas tão somente perceber
a matéria inorgânica
de minha pronta explosão

terça-feira, 17 de maio de 2011

demasiadamente inumano

podridão

insipiência


é no esgoto
que habito
no resto
sem antídoto
sem redenção
na MERDA

é meu hábito

...

no hálito
desprezo
sorriso
macabro
que encontro
um quê dinossauro


que
geme, treme e trói

poema atentado

afiado
penetrante


apenas um lápis
apontado para o papel

crianças de pedras nas mãos

corta
pro
funda
mente

explosão: lápis e papel

segunda-feira, 16 de maio de 2011

das ding

nada
nada
nadinha

nada
nada
das ding

não digo amém - mentira

há tantos versos
de tantos loucos
e loucas
que na leitura
clamo por mais existência


apesar de tantos
tantos e bons
bons e poucos publicados
não consigo dizer amém
a nenhum


nas volúpias de Ana C.
ou nas lentes de Chacal
não digo amém
entretanto, são reflexos de mim

aqui, para sempre, e em qualquer lugar

roupas camuflam demônios adormecidos
ou acordados
ou travestidos
mesmo em pequenos corpos
na cama desarrumada
na copa destrambelhada
n'água ainda por beber

no amor não vivido
ou vivido sem amor
na briga desencadeada
na igreja frequentada
nos versos caídos
no político eleito
no crack (não) fumado


ainda que mortos
demônios travestidos

sexta-feira, 13 de maio de 2011

tudo de todos, e de ninguém


Prefiro as cinzas
muito mais
comício, grito, angústia
e de cada um
--um atentado!

re-re-re...

S'ela fosse
mais perversa
que osama, obama ou bush
não daria aos pés de pica-pau

Mesmo se não tivesse um dedo
e falasse de futebol
se bebesse cachaça e viajasse ao exterior
não seria como pica-pau

Se rezasse o terço para aliciar crianças
ou tomasse dinheiro dos ferrados
seria massacrada por um pica-pau

Mas é pica-pau
o mais fodido dos fodidos
que enxerga além

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Do inferno ao paraíso

Do inferno ao paraíso

há perigo nisso tudo
de segunda anseiar o sábado
ou um feriado
de janeiro sonhar julho, dezembro
acordado

domingo, 8 de maio de 2011

Re-Start

ouvi ruídos
tropecei nas pernas
ergui a cabeça
sem dizer amém
segui viagem

Preciosidade de MERDA

há merdas
escritas que dão nojo


não somente o sertanojo


merdas de viagra, de dia das mães, de carro-lux, de patrão ou do povão



há MERDAS
escritas que dão gosto


não somente meus versos


MERDAS de terminais, de prisões, de atentados
de MERDA

do pau

do pau

igrejas

escolas

versos

do pau

da flor

que desabrocha

entre espinhos

entre esquinas

do pau

da merda

barrenta

de terminais

do pau

sábado, 7 de maio de 2011

realidade compulsória

num metrô descompassado
rumo ao absurdo, escuro
sentado à janela
procuro imagens que confortem almas penadas

numa pedra que desce
ribanceira abaixo
minhas mãos se estendem
tentando agarrar algum galho

imagens surgem
meus olhos as prolongam
um galho passa
minhas mãos sangram

metrô e pedra tecem a singela realidade compulsória



Ao meu irmão, Rodrigo Alves Lopes