segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sobre a Minha Ida ao Rio

 
Estive no Rio de Janeiro esse fim de semana, no Encontro Americano de Psicanálise de Orientação Lacaniana (ENAPOL), mas acabei deixando o recinto para participar da gigantesca manifestação ocorrida ontem em Copacabana. Foi noticiado pelos meios de comunicação de massas um número muito aquém do real, 27 mil, penso que havia bem mais. 


Percebi que a unidade tão incentivada no meio militar acabou tendo um outro endereçamento, contra aqueles que de fato - não de direito - oprimem a população. Entre os bombeiros essa unidade é expressa como um sentimento de família, o que é fundamental para o desempenho de tarefas tão arriscadas. Assim, há um grande companheirismo entre os colegas, o que infelizmente não é possível observar em outras categorias. Para se ter ideia do tamanho dessa irmandade, a própria P.M. não teve coragem de retirá-los do quartel central, foi necessário que Sergio Cabral convocasse os cães mais ousados, o BOPE. Além disso, a população se identifica bastante com a profissão desses que se atrevem a salvar vidas.  Todos os fatores citados ajudam a compreender a razão dos bombeiros cariocas - menor salário do Brasil inteiro - revoltarem-se.

Apesar da rigidez das instituições militares (punições bem mais severas do que um corte de pontos, professores!), os bombeiros não se intimidaram e ocuparam o quartel central do Rio, mostrando quão coesos e desejosos por mudanças estão; que a falência das instituições está posta para quem não quer fechar os olhos. Quando os próprios militares se revoltam, há nisso um exemplo de falência do estabelecido, perda do nome do pai, e, não é sem razão que outras categorias também estão se levantando por todo o "universo" carioca.


Militares contra militares! Os bombeiros do Rio enfrentaram a tropa de choque conhecida mundialmente como a mais opressora - BOPE -, que não está muito distante da Rotan em termos de massacres às populações pobres, e mesmo assim não desistiram. Apesar das ameças de exoneração, permanecem mobilizados pela dignidade da classe. Um exemplo a quem se atreve a ver um mundo de outra forma!


Fruto desse momento de falência da lei, outros segmentos também entraram em greve, como a educação carioca. Apesar do tom messiânico da manifestação de ontem "Deus vai nos ajudar!", "Vamos orar para que Deus mude o Cabral", percebi a integração entre os diversos segmentos: educação, saúde, bombeiros e outras instituições militares. Conversando com os professores que decidiram pela greve, percebi a forte influência do mov. iniciado pelos bombeiros, a força deles parece ter sido chave a eclodir novas lutas. O interessante aí é a formação de uma luta não só pela categoria, mas uma luta global, uma luta de classes. É perceber que em meio ao caos, em meio a falência da ordem, novos horizontes parecem clamar por uma outra forma de lidar o externo. E, quando a população pensa em "arrumar o quarto", é porque a subjetividade coletiva também está em transformação.


No atual momento, a repressão deve crescer! O que aconteceu com os bombeiros - expulsos do próprio quartel, expulsos da própria casa -, demonstra que quando a lei cai, como consequência histórica, os "donos" do poder se munem de todas as armas para perpetuarem uma ordem, que já é inadequada para os dias atuais. A luta dos bombeiros e as greves espalhadas por todo Brasil estão mostrando que a população possui o desejo de mudança, que essa estrutura socioeconômica já não comporta a subjetividade atual.

6 comentários:

  1. Os bombeiros são muito mais importantes para a população do que os políticos.
    Fico puto quando leio matéria de bandido que mata bombeiro em assalto.

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  2. Tem que haver uma interação entre as greves. Isoladas, findarão, assim como findaram as revoltas do período pré independência do Brasil.

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  3. concordo, o interessante é que consigam fazer com que as greves estejam interligadas.. de qualquer forma, o exemplo dos bombeiros está incendiando o Brasil todo!!!

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  4. Os bombeiros sem dúvida são os únicos profissionais cuja missão é apenas a de ajudar o próximo. Serem tratados como bandidos por reivindicarem uma vida mais digna é inadmissível. Pau no cu do Sergio Cabral e desses comentaristas fascistas da mídia como o Alexandre Garcia.

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  5. "Os bombeiros sem dúvida são os únicos profissionais cuja missão é apenas a de ajudar o próximo": Só mesmo acreditando piamente na dicotomia bem/mal para achar que existe alguém no mundo que possuem como missão única ajudar o próximo! Tadinho do menino Wagner!
    Amigo, os bombeiros são humanos, não tente idealizar uma função pública como outra qualquer!
    Os bombeiros, assim como os médicos ou os professores, não são do bem nem do mal, são...
    pessoas!

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