sábado, 25 de junho de 2011

Furo a pensar

Estava com a VERdade
de alguém carregado por correntes
nas correntezas do cotidiano

Deixei os grilhões
pulei na garganta do desgraçado
para brotar dos dedos algo pontiagudo,
punhal, impus meus desatinos

Passamos por urtigas, cravos
afundamos,
pulamos onda e matamos no peito
à custa de palavras-gozadas

Meu companheiro já parecia estar bêbado, cansado,
eu, grudado ao pescoço dele, nos descaminhos,
não deixei de atribuir gozo àquilo

Saltei da égua-homem
destrambelhado, cambaleante,
iniciei meu voo
ainda que desgovernado,
fui às nuvens, de ar gélido, parei, remexi
percebi que não havia queda ali 
tirava foto das minhas imagens
remexia as pernas, braços,
gritava só para ouvir o eco

Mas queria mais
nu! queria mais...

Recolhi minhas mãos ao estômago
dos dedos, novamente, nasceram  espinhos,
facas, estiletes...
deixei-me dilacerar
da parede lisa do duodeno
brotou um furo - só para ter o que pensar




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