sábado, 8 de outubro de 2011

Eu vi deus!

Nessa manhã eu vi deus
era todo ele, deus
azul como olhos de janela verão.
Reafirmo: eu o vi
e estou completamente convencido
porque "dúvida" não há no meu dicionário pagão!

Tomei meu café - com bolachas água e sal
ainda à mesa, abri uma partida antiga de xadrez
e, como num instante inapreensível, 
senti a ternura do lance sagrado, deus
de café enfumaçado, deus
de bolacha e água e sal, deus!

À janela, de correr
tanta chuva ensurdecia qualquer incrédulo, deus
as águas pelas frestas, 
os livros encobrindo os ladrilhos, deus!

Num chão de livros (a bíblia está fechada!)
bebo meu azeite matinal e revejo meu tabuleiro
as vidas sem peças, hoje, estão repletas de um torpor infantil!





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