quarta-feira, 16 de novembro de 2011

mal é estar sem civilização

entre vácuos desço ao terreno mor(t)al

mal é estar no cume da montanha e não enxergar o outro
mal é estar sem viver as dores do dia
mal é estar sem enxergar os próprios olhos furados
mal-estar é viver sem amar

passei pelas nuvens pensando ser maravilha o que era dor
e tirei fotos de minhas próprias caricaturas
(cabelos grandes, nariz de negro e cenas pérfidas)
e tudo cá embaixo era só falsidade humana
e tudo cá embaixo era só mor(t)ais encenando uma imortalidade tosca
e tudo cá embaixo era só religião: reedição de verdades passadas

Não sem dor, ultrapasso as nuvens para ver o próximo, ainda que distante
e percebo que a hipocrisia era apenas os meus olhos nebulosos
e que esses mor(t)ais têm muito de imortalidade genuína
e que os cães nada mais são que mulheres imor(t)ais
e que a terra cheira a água doce em pleno mar
- a vida treme diante da passagem!

Desci e já não tenho o conforto de onde vim
agora, ainda que descalço, piso espinhos para dizer amor





2 comentários:

  1. Bravo...Bravíssimo! Meu caro professor...
    O dia em que enterrarem todos os apresentadores de "Escolinhas do professor Raimundo", você será chamado para a mídia e depois de milhões na sua conta, nada mais importará! (OPA, OPA! ESTOU DE SACANAGEM!)

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