sábado, 24 de dezembro de 2011

abismo raptado

lavagem de gente pela sardinha de rodas
sempre à procura de bens inexistentes
- pernil de arranha-céu -
pesadelo preparado a um amigo!

é morrer de ira por não poder gozar
amarrar a insônia num sonho contido
como caberia ao poeta do amor perdido


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na insignificância dos dias
quando sem completude
deponho o olhar ao longe
de Goiânia a Santo Antônio
para fazer o quadro do abismo raptado


sábado, 17 de dezembro de 2011

Gozo desmedido






O livro "Gozo desmedido" está à disposição nos seguintes espaços: livraria Dinâmica, livraria Novo Pensar (ambas na rua 4 - Centro - Goiânia), na revistaria LER (Goiânia Shopping), na livraria do Goiânia Ouro e, também, no site "estantevirtual.com".

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

olha o carro, Almiro!

olhos refletidos no espelho do retrovisor
as lágrimas infantis anunciarão o trágico da noite

um senhor atravessa a rua
(travessa 68)
a meninota, já acrescida de seios gigantes, grita ao idoso
uma bicleta invisível percorre o dia
enquanto o pão solta das mãos estrangeiras rumo ao estômago vazio do cão

ao longe, um carro voraz
(a velocidade é rápida demais para que o percebam!)
uma chuva de lama levanta voo para a pistola dinâmica dizer fim à vida de um velho.




segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Souffrance

Sofrer não é uma exclusividade francesa
mas é d'alma consanguíneo.

- O que não solapa é alimento de altivez!


A linguagem amplia todos os bêbados da esquina
cria novos cenários
estabelece conflitos
e, proclama, sutilmente:
- Paciência!
A alma que sofre-calma não sucumbe na esquina.

domingo, 4 de dezembro de 2011

brincadeira de criança

é tão bom saber que os pés
apesar de calejados
dão passos largos

saber que o sorriso
ainda que tímido
satisfaz almas vãs

mas não queria só!
um pé sobre o outro de mãos dadas
brincando de doutor. bora?


palavras recheadas de sentido

e virá alguém dizer que (me) produzi muito

direi:
toma no cu, filho da puta!

jogo perverso


entre mim e ti
não há nada mais perpétuo/perverso que o amor!

gozo enclausurado

de nada vale gritar
os ouvidos de cera não escutarão

...


sem idealizações

num quarto
há mais afeto que a sapucaí invadida por gringos

no quarto

penso mais que toda a filosofia grega
amo mais que todas as pensões medievais
sofro mais que qualquer manicômio atemporal

num quarto só
recordo cada instante do beijo que não dei
cada gole do café que não tomei
o almoço ficou engasgado na memória!


mas de tudo
concluo:
(e as conclusões são buracos de cobra!)
da pequena um gigante nasceu!

silêncio (com "s" minúsculo)

todas as palavras ficaram num passeio de verão
que não fiz
no suicídio que ainda não cometi

todas as palavras são falas deslocadas
a quem perdeu a própria língua

contudo, percebo ter quase tudo
num quarto só!

e não cantarei o amor latente
(vivo!, que seja)
apenas direi:
o silêncio é maior que qualquer palavra esbravejada.

sábado, 3 de dezembro de 2011

amizade genuína

agora
sim
o silêncio é um grande amigo!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

o encanto da roda, da rocha e da fonte


o que há de encanto é o desejo
nada mais!
alguém descobriu que o retângulo anseia a roda?

a rocha quer água da fonte
enquanto o ser procura o humano.




Ao profundo conhecedor de mim: eu mesmo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

canicidade


Quem me conhece como ninguém não me deve fazer só o bem!

Por que não me deixar ouvir o latido da cadela?
por que não posso cheirar o rabinho dela?

- Monstro dos monstros da caninidade, rogai pelo rabo perdido de outrora!

Nem o cheiro
nem o latido
podem tirar pedaços tão delicados?

(A.Q.M.C.C.N)

não gosto de churisso!

Não, não quero perturbar a dinâmica familiar!

a família quer meu sangue
(não gosto de churisso!)

carne ao sangue é gosto de vampiro!
e eu, mor(t)al como sou,
vejo toda beleza dessa vida vã

Estive por aqui
tentei contato
deixei mensagens - e não fui escutado
agora...
enquanto a vingança não acabar
(vingança familiar!)
estarei em Santo Antônio de Goiás
rendido aos caprichos de uma vida só!




(A.Q.M.C.C.N)

nega-fulô

hoje acordei pensando nas orquídeas
nas flores, nos cheiros dos perfumes escravizantes

NADA!

só o som
cheiro e o amor...
só a nega-fulô traz de volta um cachorrinho adormecido.





(A.Q.M.C.C.N)

altivez besta, meu deus!

"Eita vida besta, meu deus!"
Carlos Drummond de Andrade


Meu silêncio começou a reinar em era de palavras vazias

hoje não balbuciei palavra alguma
esperei que os peixes morressem pela boca

minhas intenções já estão postas
minha manobra, arriscada como é
não tem o preço de felicidade.
Todavia, via um rosto pacato
sem sal
salgado somente à volúpia de fim de semana
(sempre em motéis e com hora marcada!)

quero seu sexo, sim
silencioso que seja
à sua maneira custosa
mas
voraz
na altivez vista peito adentro.


(A.Q.M.C.C.N)