terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A greve do profissionais da educação estadual: anúncio de uma esquerda


Rede de ensino estadual goiana: mais de 80 % do interior parado e cerca de 75 % da capital em greve. Esses dados nos mostram como a educação é linha de frente contra o fascismo. Os profissionais da educação foram tratados historicamente como uma classe perigosa (vide o gigantesco poder de persuasão) e, portanto, o achatamento salarial, as medidas fascistas dos governos de plantão, são maneiras de tentar blindar o acesso à transformação social. Entretanto, essa greve nos traz três elementos a pensar.
Primeiro, o poder da mobilização via internet: antes os profissionais ficavam reféns dos sindicatos, das notícias nos telejornais, agora um grupo de discussão possibilita maior dinamicidade à classe.
Segundo, antes do início, a greve já era considerada ilegal. Esse fator nos remete à política velha, a política da repressão, ao tempo em que se dava um pé do sapato em troca do voto e o outro viria se o candidato fosse eleito (o decreto precoce de ilegalidade da greve é como lançar a dama no início da partida de xadrez, se não for efetivado um ataque rápido, o oponente trabalhará em prol da péssima posição do adversário). Em entrevista, o secretário de educação do estado, Thiago Peixoto, afirmou que, se os profissionais voltassem a trabalhar, haveria negociações - o que leva novamente ao pé do sapato perdido ou a dama em péssima posição, o desespero. A carta na manga, ou seja, a ilegalidade da greve, já foi usada, porém não surtiu efeito.
Por fim, a participação efetiva dos estudantes em apoio à greve é nota de destaque e desespero da lei. Como convencer a sociedade de que os professores são preguiçosos, estão na ilegalidade, se as famílias estão participando de fato das ações da greve? Entendo esses fatores como decisivos de uma nova esquerda. Já não há o poder verticalizado de um partido, de um sindicato, de um telejornal, entretanto, há uma multiplicidade de vozes atuando lado a lado. Enquanto o governo Estadual procura a política velha, a política vertical, a política da voz única, os novos cenários apontam para uma perspectiva horizontal.