terça-feira, 28 de agosto de 2012

Do amor

Do amor

O medo de amar não é merecedor de um grande amor. Amar é prosa não contada! Uma aposta diária de quem não é jogador, um eterno imprevisível real. Não há certezas, garantias também não há. Para os defensores de um mundo interessado, utilitário, o amor não cabe... Não cabe na lata de cerveja, no copo, no armário também não cabe. Não basta colocar em uma planilha e calcular as variáveis - sempre haverá um quê não examinado. Catalogar o amor é viver uma sobrevida prevendo os movimentos possíveis de um jogador de xadrez, e nunca mover uma peça. Amar, enfim, não é estandarte seguro para adulto levantar!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Furo

É fundamental acreditar nas imagens que se vê! As vozes anunciam o desejo e mesmo assim tapamos os ouvidos, permanecendo diante da couraça do cotidiano - preso às armaduras do passado. A repetição é peça que impede galgar novos espaços, o que é sintoma de uma couraça enraizada. Não se trata, porém, de retirar à força o que os anos assentaram a ferro e fogo, mas, tão somente, enxergar/ouvir e creditar no que está por vir como elemento de repetição. Ah, aí sim pode haver escolhas! Não o livre arbítrio cristão (faça o que quiser e venha morar com o diabo!), mas a possibilidade de fazer o furo, uma possibilidade outra de se reinventar. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

autoconfecção

O tempo de vida é o atelier cujo material a ser inventado é a própria subjetividade. Aqui, em terras de lama e em tempo presente, nos é reservada a autoconfecção.

Da verdade, um efeito

O que importa não é a verdade factual, mas o império do efeito de verdade. Esse efeito avança no maior mal-entendido, nonsense. É que o desejo de convencer (o desejo de demonstrar a exatidão dos fatos) demonstra somente a pressa por concluir prematuramente - remontar perfeitamente os erros do quebra-cabeças. Entretanto, procurar a exatidão histórica esconde longe-longe o sujeito, o sujeito do desejo. O efeito, o estilo, é que devolve o sujeito aos olhos do Outro.

escuta diária

Falam-falam-falam e permanecem feridas abertas, já que não há ouvidos no vazio. O maior exercício de escuta é ouvir a si mesmo. 

Do ódio

O ódio é expressão máxima de um amor desejado. É estar de mãos dadas com Eros sob o império de Tânatos.