segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Do poeta, um corpo - projeto sem palavras



Do corpo o sangue resta
o poeta nada com o corpo de Iemanjá
sem transgressão, sem rebeldia
nenhuma revolução
o nado sem palavras se instala e refaz o instante limítrofe dos navegantes
e não impõe um novo limite ao inominável

Se me atrevo a considerar a poesia sem palavras é porque considero o corpo
de escritas infindas, mares revoltos e água doce
se me atrevo a considerar a fala sem palavras é porque considero o instante
a fala que flui, frui, sem nenhuma expectativa

Do corpo que fala sem palavras não há o que se possa dizer
entretanto, considerá-lo no meu nado é fundamental
se meu corpo rasga o leitor no indescritível que é a linguagem
sem palavras e pontos
(não costuro mais)
há de longe, sem palavras, o nado de Iemanjá

Dela vários nomes são ditos
porque nem Janaína ou Iemanjá podem traduzir
nada
o inominável é congênito a quem se atreve saltar às ondas, perdido da lupa, da bússola
nada
e atreve com o corpo o salto da braçada além

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