quinta-feira, 13 de março de 2014

nas curvas do dito, o poeta da poesia



nas curvas do dito, o poeta da poesia.


 o poder de um poema não se reduz aos versos contidos ali. o poderio de uma guerra vai além de um tanque blindado, tal como a força poética reside além da fresta, esquinas. é nesse espaço não marcado (flashback de tempos, ou aventuras contidas - apenas na mente do leitor) que há a possibilidade de esbanjar o recomeço. o poderio lírico é uma semente do descabido (mas vivo, óbvio), 
 ressuscitado em instante.

mas me propus a dizer do mal entendido poético, de quando um poema não se finda na pretensa alegria ilusória da única interpretação. é nisso, pois, que reside a acusação ao poeta: falta amor!; a falta da letra maiúscula não denuncia apenas a ausência de um nome próprio, mas tão somente a inexistência de qualquer realidade possível. a falta de um ponto que absorva o eu, que o faça acreditar que é a própria poesia... contudo aos poetas que vivem sem chão, àqueles que a realidade (mesma nas diversas criações) não estão em consonância com a rebeldia intrínseca do fazer artístico... ora, ora! viverão a inexatidão, vulgo sofrer,

as identidades poéticas, eu.

a poesia é o sem lugar. não há lugar comum nesse campo. o poeta é da ordem do impossível, a poesia, portanto. dessa maneira, não poderia ser diferente, o poeta é necessariamente um não querer, um não compreendido de cem anos de idade. uma rebelde de cem anos é o próprio poeta (sinônimo de sua poesia),

o poeta da poesia!

na escuridão da poesia, o poeta está embrenhado da cabeça aos pés. e não adianta dizer que o poeta não sabe o que diz - ele é o dizer! não me venha com o tom racional de quem conhece a si mesmo - a poesia reveste o poeta. entretanto, não falta acusações ao pobre poeta! ele não está seguro; na corda bamba das palavras tropeça (peca, tomba) justamente quando as reticências aparecem sem porquê. ah, mas há a salvação. jesus morreu na cruz e deixou apenas o "cristo" na areia movediça das palavras dos que vieram (pós-arena/ pós-areia). mas há salvação! a salvação daquele que escreve no devaneio da inexatidão,

reticências.

redenção é se apegar a algo minimamente firme. a poesia é oblíqua e imprecisa, multiforme. o poeta da salvação só existe, enfim, após a própria morte (porque a poesia e o poeta tornam-se aí). daí que a salvação é a morte por excelência do poeta, às vezes sem redenção. digo, no maior tom de obviedade, que as palavras são simplesmente elas mesmas (pequeninas), mas repleta de grandes amores,

nas curvas do dito.

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