terça-feira, 16 de setembro de 2014

Ah, vendo-me

hÁ,
de haver, nada existo

Ah,
mas A ver-me com o que já feito foi,
hÁ séculos,
deve criar-me sublimemente

nA
vida deve haver algo ainda por fazer

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A-mar

escreve-se na água
na alma
a salgada esteira da vida

Afora isso
escreve-se nada

e o toque (de letra a letra) move em ondas a água
é o mesmo que dizer: sangra-se a língua ao mar

diante do infinito, a escritura é chacoalhada, descompassada
arde-se, pois, no espaço inconstante das palavras

um barco sem remo lançou-nos às idiossincrasias do verbo
intransigente mar

e, no vai e vem das ondas
no toque dos dedos (recortando o infinito)
escrevemos o impossível
A-mar