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Mostrando postagens de julho, 2010

sal em Maiakovski de mim

uma lágrima me vem à boca gosto salgado do devir como barulho ensurdecedor do passado eterno é Chico, é Jamesson Buarques confusos em identidades coletivas vou-me em subjetividades alheias (conversas de vinho em meio-fio qualquer) e pulso como sexo de mulher excitada creio na libertade como libertinagem humana retorno a Jamesson, a Chico apoio naqueles que executam revolução infelizmente não há roda de samba hoje -troia é Goiânia onde morro! Vejo-me à esquerda de nietzsche à destra de Lacan de mãos dadas com drummond olhando os que se mexem anônimos que vomitam Marx sem conhecer xadrez ouço todo horror russo toda limitação cultural chinesa (kundera quer sua leitura, maiakovski não encontrou culpados!) munido me vou em dias de noite pela Grande Marcha liberto-me nas resistências alheias -libertinagem hippie quebra qualquer bolsa de valores meus ideais cristãos tornam-me a Dante o inferno medieval é o purgatório renascentista o inferno de hoje são lágrimas de Salém reprimo-me ao som barb...

Indecisão

Indecisão Trabalho, escola, casa, são um dos ambientes que requerem algum tipo de decisão Mas estou aqui mais uma vez sem o mínimo de reação... Não importa muito quais as consequências, Pode ser por causa de minha adolescência Sei que um dia serei adulto e que pra isso terei que seguir etapas e da vida levar muitos ‘’tapas’’, para alcançar a minha maturidade e sair dessa indecisão de minha tenra idade. Logo quando eu passar dessa fase de intensa loucura Terei que ser um homem decidido porque futuramente serei uma espécie de exemplo a ser seguido, mas tenho certeza de que pra essa minha louca indecisão logo encontrarei a reversão! Luiz Mauricio Rodrigues de Almeida

pernas cruzadas e olhos soltos

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estou sentado como quem caminhou léguas e teve vertigem sentado como se houvesse vida-deus além de mim minhas pernas cruzadas apontam direções --devo segui-las? qual? hoje me permito água diante de minha paralisia talvez fosse ao chão se quisesse me levantar --sou burguês sem acúmulo? depois do sono matinal - o sexo ainda não veio não consigo deixar a desordem interna conexa minha visão se limita à cozinha de portas abertas (todas as chamas estão acesas) solto os olhos... lembro-me do asfalto que passa onde a vista não alcança sei que os carros se movimentam em plena força e vigor e os pássaros - daqui os ouço continuam a cantar não me darei aos vermes agora sentado há em mim toda anarquia de um comunista que diz amém

Bêbado como Álvaro de Campos, Consciente como Poe

Meu ápice! a gota do orvalho gemia a queda mas fui surpreendido por sua fala Pensei sobre mim: --Destino poético é curvar-se aos poemas --Frustração não resiste ao álcool --Vida se acha em braços de livros abertos (pensamentos medíocres!) Conversa lúcida é poema de quem escreve bêbado Por isso sou Poe ao lado seu, querido Campos Passeio pelas nuvens espassadas da realidade, sem medo E sua voz me vem como rio vermelho contemplando o céu Das correntezas Ouço cora, ouço você! Sem distinção entre mim e ti Entre ti e o outro Somos leves barquinhos no rio da vila sem volta

FRUIÇÃO E FUGA

Vento fortuito de mente vazia pretende parir um canto poético À luz, O ar ultrapassa dedos entrelaçados Minha mão segura o que é me é possível -- Caso não houvesse resistência Meus dedos sucumbiriam (profecia do inevitável!) Sinto o atrito da fruição e agarro firmemente o que não dissipou Mesmo seguro de mim Dispo-me de possíveis extravagâncias, eternamente

por que diabos há versos ainda?

Havia um encantado que dormia no chão defronte ao motel Outro, ao lado do primeiro, simulava a própria morte sem sequer respirar Eu, que respiro e não sou encantado, escrevo versos sem por quê Talvez para solucionar velhas questões de pessoas novas Mas se as respostas são variáveis (isso é quase uma verdade!)... por que querê-las? Escrevo para não ser mudo tendo língua e fala Pode ser que meu pesadelo seja a mudez Todos versos são a prevenção dessa mudez futura Que virá em morte ou vida evasiva. Virá! Sou quem procura ouvidos Mas minhas ideias são tolas e não atraem nem a mim Atrai quase ninguém Mas se atrai alguém pode ser o motivo primordial de existir Como poucos se dão à arte da escrita Faço parte de uma minoria Sou bicho exótico do cerrado, talvez Por que alguém simularia a própria morte defronte ao motel? Mais uma pergunta sem por quê Estão ali, os dois Nada encantado e aquele que respira Eu, que parado sou peixe de olhos abertos na terra Procuro-me...

cuidado poeta, a noite cai!

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Cuidado poeta, a noite cai! Defenda-se impetuosamente da noite: Calvino deve permanecer aberto perto da Tabacaria pois o cavaleiro se materializa fumando charuto quando menos se espera passa Taverna adentro e come, carne e osso a dona da pensão Ahhhh... e não é Macário nem mesmo o Diabo mas meu velho cavaleiro inexistente (Cervantes morreria de inveja!) Salve o que escreveu encante sua Alice para que ela não fuja num pesadelo e, ainda não confie na criatividade dos sonhos nem sempre somos abençoados A noite sucumbe qualquer ser, orvalho enxuto sem por que!

antigos rituais

À procura de rituais para não mergulhar no nada Não quero dormir para não ser incosciência de sono, às vezes sem sonho Talvez militância seja uma barreira à fragmentação como a adega do avô que não tive Há muito louvo o poder dionisíaco mas confesso amo só o que me faz acordado Xadrez entorpecido é a simulação do comunismo! mantenho-me vivo e sou peões e marx e torres e engels no meu tabuleiro não há lugar para bispos Amai ao xadrez pois dele é a luta e o amor (profecia popular: todos peões serão coroados!) Mas não se esqueça do álcool das greves álcool e xadrez e militância e mulher minha resistência ao fracasso um passo rumo à completude, minha resistência ao caos À pós-modernidade valho-me de antigos rituais

entre insônia e pensamentos

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Hoje quero tudo que tenho (um quarto repleto de insônia e pensamentos) Minha sorte continua em livros velhos d e sebo fechado Ou em livraria burguesa que se compra sem pagar Barbas crescem entre contas delirantes mas é Beethoven que maldiz o sono enquanto transo comigo Não era dia de poemas nem lua cheia ou álcool mas ao som do vento (não descarto a fumaça do cigarro que não fumo) os versos nasceram entre dedos dormentes Até greve de sexo é pintura infantil Sete meses não passam de um dia Não definitivamente não sou poeta! a brisa torpe não me convenceu Sei que Ipanema voltou Alice apareceu e meu deserto hoje não cabe num poema! A Fernanda que me ensina a viver!

i'm just a new boy

Prostrado o quarto ouvia o gotejar incessante (é só um banheiro repetitivo...) Drummond desata num só momento, instante e a revelação do ontem é o meu agora sem nenhum pudor ponho-me a sentir a cama dois olhos fundos cravam em minhas entranhas Sem direção lábios entrelaçam gemendo o sabor vivo do sexo (conversa de pássaros!) são lábios pulsantes à espera do gozo ... ... ... Today I'm a young lust with my sweet-dirty woman