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Mostrando postagens de setembro, 2011

A vida é doce

A vida é doce anfetamina cocaína estricnina A vida é a doce falta de vergonha na cara!

Das tripas, um coração

Das tripas, meu coração, rasgado em versos de jornais. Rumo ao armazém do sexo, compro minha boneca inflável, afinal, tenho o vazio de gerações.

Falo de mulher

A força da fala é uma língua rija brutalmente feminina como falo de mulher.

Perdido num samba, encontrado na cama

Rasguei a aurora numa taça de cicuta e, cambaleante ao teatro de cuíca, fui toda vastidão do lençol branco, do terno preto, do chapéu-coco, do algodão ao nariz-defunto, um mero perdido à cama do samba.

Lançamento do meu livro "Gozo Desmedido"

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Poucos dias para o lançamento do meu livro "Gozo Desmedido". Caso queira dividir esse momento sublime comigo, basta entrar em contato (8487-7672) para pegar o convite. Espero contar com você. Data: 05 de Outubro, às 19:30.

Desaprumado

Nas correntezas de gravetos sem nome quero jogar meu corpo seguir embaraçado nas águas rasgando dias, rompendo noites e, disforme, tomar a forma da pedra da folha, do menino que dança n'água disforme: tomar a forma que convém Nessa cadeira de balanço na sesta de domingo meu corpo não caminhou uma légua mas está parado, cansado! Agora caminho sossego embora cansado, desaprumado sigo viagem

Vazar desaprumado

O mar escorrendo águas a conta gotas. E, da pinguela, o pouco que radiou floresce como sombra. Chego talvez à minha forma: os versos não me curaram, a prosa deixou-me atado em finais escandalosos. O gotejado dos dias figura cá dentro! São sempre gotas de insanidade que me anunciam as próximas horas. Mas hoje parei, parei semana passada também; pelo que consta vou permanecer parado. Sono nenhum me consome; a cama é o simbólico de aventuras sonhadas. E as árvores ao longe gritam o fim, enquanto o tempo escorre pelos dedos. No latido do cão, ouço o que se perdeu. Foi numa hora, num lapso de tempo, que desmanchei meu arcabouço infantil. A manhã era bela, e não tinha vontade de parar. Só a rapidez dos dias era capaz de me cansar, mas foi numa tarde qualquer que desfiz o laço da ombridade; que anunciei a possível queda, mas nem me projetei rumo ao chão. Lancei-me aos versos, contos, novelas: não havia linguagem. Quando havia movimento, os resultados eram de ordem finalista, o que iludia...

excreções do ócio

No início era o verbo verborrou os macacos e tornou-se verborreia

Amortece, pelego!

Quando o traidor ao lado acorda eu durmo pra não ver o estrago

Diarreia noturna

Agora, durmo expeli o dia numa baforada de vaso!

Vulcão social

A febre aumenta a temperatura interna dos corpos quente que Saara as horas contudo, a temperatura social já entrou em erupção

J. P. Fernandes

Pra li foi J. Fernandes Só esqueceu-se do Pinto Numa lata de lixo qualquer

Jesus de Goiás

Aqui, nasceu Jesus menino custoso de Goiás milagrava urinando nas águas só pra ver o rio corar

Erotomania

Põe sal na ferida e tempera com água fervida

Diacho!

Régua de lã é para ovelha ringue é pra macho

tic-ataca

Compasso, marca meu passado no chão que o tic-ataca qualquer coração

restos sublimes do dia

A diarreia impele ao sono Antes, porém, expele verborragia Com o odor sublime do dia

Neurose

Sofrer de reminiscências é a cura da amnésia

Amor real

Amor de um é a masturbação de vários

Slogan do M.E.C. (Mal-Estar na Cultura)

Educação para tolos Ensino para ninguém Tira-o-calção de todos Pornografia pra quem ?

não!

Não devo me alienar Virei Hippie e não vou trabalhar Não vou trabalhar Não vou Não!

Contra-cheque

O tic-ataca o coração!

Satisfeito, camará!

Pra que muito ? Pouco me satisfaz

Alerta

Dando-linha-linha-e-mais-linha e-mais-tinha quando-a-linha-é-grande a pipa se  v a i! (Inspirado no texto de Cacau Cruz, "Carretel")

DONADA

Dizer porrada só não basta é mera fala deslocada Falar donada num contexto de pancada em grupo ou perdido é, enfim, o GOZO DESMEDIDO

pé da letra

Não me tomem ao pé da letra enquanto meus pés se juntam minhas palavras se vão

S.O.S

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Quem pouco tem carrega em si um alto-falante abacaxi cor-laranja-amor É, ele, som ambulante pungente, azedo, que geme a flor Socorro é correr só do próprio, do bicho, da vida a SÓS - Marimbondo quebrantado de dor! De manhã se faz ninguém de noite confirma: eu já ferrei alguém De Goiânia a Belém são picadas de trem (Espera, com essa rima não sei se passo bem!) Socorro! é correr só da rima, da métrica, do próprio, do bicho, da vida a SÓS

O latido dos cães (Produção Coletiva )

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Parte I – Para Isabel  ( Por Cacau Cruz) Eu desisti de você Não me pergunte em que momento, mas, acho que sei como foi. Foi tentando encontrar motivos em suas frases vagas, buscando pistas em suas charadas, tentando decifrar o teu olhar... minha doce Isabel. Eu desisti de você. Você nunca me pediu para ficar Sequer pensou em me ligar Ou dar-me um espaço qualquer. Fecha os olhos e me apaga da memória Pois, não estou escrito na tua história fui o beijo que não foi dado, sou a lembrança de um adeus. Parte II – Para quem me deixa ( Por Marcos Alves Lopes) Apagar... O que já me derreteu a memória Também torturou meus dias noturnos - É fácil ficar quando a carniça não fede! - É fácil pensar com a cabeça na rede! Meu falar torto é pena de viagem (vadiagem) Pro rio ou à puta que pariu Mas, se não entende o latido dos cães Vai, ou não me venha mais!

sonhos diurnos

Apagar... O que já me derreteu a memória Também torturou meus sonhos diurnos - É fácil ficar quando a carniça não fede! - É fácil pensar com a cabeça na rede! Meu falar torto é pena de viagem Vadiagem Pro rio  (ou à puta que pariu!) Mas, se não entende o latido dos cães Vai, ou não me venha mais!

Para além do bem-estar poético

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*Texto elaborado ao Comício Poético (Revirada Cultural Goiânia-GO - 2011) Para além do bem-estar poético Poeta, profeta, protesta. A profecia anuncia o que virá: partindo do imaginário, o profeta constrói e proclama um novo momento. Não é diferente ao poeta! Através da escrita, há a possibilidade de reinvenção subjetiva. O poeta subverte a linguagem, como a dar forma ao desejo, como a realizá-lo. A transgressão é característica básica de quem é tomado pelo desejo, uma vez que o querer não segue os ditames morais. Poesia não é falar de si, já que o poeta é tomado pelo furo, pelo inumano, pela linguagem. Assim, nasce o poema, e, em seguida, outro vem subsequente  (o desejo não pode ser satisfeito completamente). Não há realização plena, o furo permanece! Há uma fome poética, fonte d'alma, que momentaneamente consegue se dar por satisfeita (nasce o poema), há o gozo, mas, momentos depois, a fome (da fonte do desejo) toma o artista novamente - mais...

mundo sem macacos

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A primeira máquina salta adiante a peça frouxa da engrenagem baiana (roda a baiana!) A segunda, sem óleo, filha postiça, não consegue girar a roldana. Numa mesma indústria, uma engrenagem encontra-se com a outra. A segunda torna-se objeto, enquanto a primeira esbanja óleo e dentes tortos.