Devívido I O jornal aberto nessa manhã não encerra nada além dessas páginas viradas (ao acaso*). Tudo ali, sem salvaguardar o proibido. Os livros sobre a mesa de jacarandá (ah, a solidão do jacarandá*) dizem pouco mais que uma floresta devastada. Nem mesmo o jogo de xadrez montado aos modos de Bob Fischer, agora, faz algum sentido... Contaram-me que abrir um jornal era a experiência maior de criação cotidiana, um corpo sem vértebras a se inventar (nunca acreditou*). Por muito tempo, escrevi diversas matérias a jornais que nunca movimentaram as minhas entranhas. Na verdade, pouco pratiquei a leitura; escrevia, escrevia. Quando penso na leitura dos pasquins, quando estudava na universidade, eu ficava verdadeiramente de sobressalto - aquilo me arrebatava (hoje, como seria? Faria esse sangue ferver?*). Abro o jornal e leio. Leio; releio como todos que abrem o jornal pela manhã à procura de algo que transcenda e traga o sol ao dia nublado, que deixe o sal a ...
de segunda a sexta trabalho-trabalho e gozo nenhum trabalho-trabalho e gozo nenhum trabalho-trabalho e gozo nenhum trabalho-trabalho e gozo nenhum sábado: compras pela manhã dentes, cabelos e unhas - pronto? à noite: ereção já uma gotícula de esperma e o sono (nem sempre há gozo e sonhos) aos domingos - murmúrio, penumbra e provas fim do mês - todos se lembram do salário minguado
Melhor nem ver mesmo! Como diz o ditado dos porcos e farelos..
ResponderExcluir