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sujeito-homem

Abraço-me escrevendolendo e já tiro do colo o que sou agora de mim, sou linguagem pura, a pureza de milhões! conhecer-me, sem pitacos alheios é ser discípulo de mim - Vou parir todos para saber quem sou parto-me à dor - a luz apaga e a coluna dói - após, aliviado - posso ser visto por olhos distantes ao ler-me, já não (in) divíduo o que sou unifico-me ao caminho dos outros - à procura do homem

Psicanálise

Psicanálise é aprisionar o desconhecido num frasco (comum a toda gente!) Abri-lo e cheirá-lo é que depende de bravura e sabedoria (análise-do-eu-não-privatizado...)

Literatura-viva

Literatura-viva I Fazer-se a partir da fantasia revelada ao outro Literatura é metáfora-viva! É fazer-se no outro; compreender-se (melhor, compreender o outro). Há de fato apenas o desconhecido - premissa constatada por quem ultrapassou os limites da caverna. Informação importante: somos a imagem e semelhança do outro - ah, e viviemos para satisfazê-lo! É exatamente por isso que caminhamos cegos e aprisionados querendo pagar a dívida oriunda de relações escusas... à caverna só é possível ver sombras descompassadas do outro. Ao outro é o nosso desejo, ao outro é nossa abdicação... ao outro me fiz eu! Afinal, que é o outro? ... melhor agora é aprofundar na caverna d'alma e entender os grilhões que nos separam de nosso cordão (cortado?). Um universo dual se fez, é o nascimento de uma criança. O pequeno ser cheira, toca, chora e mama... ele é a mãe! A mãe, por sua vez, resolve parte da inquietação mundana, agora, ela tem o tão sonhado pênis (mas ele vai falar ainda!). A ...

super-homem de Fernanda Padilha

E eis que o super-homem aparece como uma epifania. E é de seu feitio ser super sempre...sempre enquanto lhe apraz. E como ele aprecia levar as pessoas para o céu em seus vôos intempestivos... o público se encanta e ele mais ainda de si mesmo. Em sua plateia interativa, temos ali uma bailarina, que sempre, sempre tenta se equilibrar na ponta dos pés e se manter no mais alto possível, mas nunca, nunca antes havia alcançado os céus. Queria agradar a todos, reconhecia seus erros – assumindo inclusive aqueles que nem eram seus – e queria ser perfeita, mesmo sem nunca atingir as alturas. No entanto, o super-homem apareceu e, estando uma vez no céu, não queria a bailarina voltar à prosaica terra que lhe doía a perfeição de seus pés de passos acertados. Acontece que, com o tempo, sentindo-se sozinha num céu de nuvens imaginárias, a bailarina caiu bruscamente à terra. Foi quando ela notou que o super-homem gostava de levar as pessoas pro céu muito mais pra se sentir no alto, e que, tão logo a ...

vitória dum presidiário

quando as roupas embranquecem e os insetos são dedetizados (já não há bolhas!) a alegria do condenado parece reinar se não há moscas e apenas ouve-se o chiar da chuva sos se ga da men te ou, no motel, já veio o gozo e a tranquiladade da noite paira, o sono vem! são faces aprisionadas da insensatez (mas peste não é metáfora para a morte!) só o gozo, sono ou chuva sossegada fazem da morte minha ressurreição

Terra vazia

Os jornais estão sangrando... as pessoas, desconcertadas, vagam incansavelmente por lugares incertos. E eu, olhar meu, olhar incestuoso frustrado, não consegue distinguir as cenas que passam com tanta rapidez, são retinas deslocadas. Sentado, sou introspecção... apenas os jornais me ligam ao mundo exterior. Parece mesmo que preciso de sangue alheio para sentir o coração batendo. As mortes no Rio de Janeiro não me fazem chorar, muito menos me causam arrepios, mas me dão a terrível sensação de existência. É, minha subjetividade aprendeu a ler desgraças, o que antes era apenas exótico já tornou-se essencial. Mas o jornal me liga a mim. Essa corrida veloz faz qualquer piloto tentar olhar à arquibancada. Abri o jornal e trouxe a xícara de café para mais perto. Meus olhos pulam nas Coréias e sinto-me em São Paulo de guerra. As torturas policias "Ministério Público investiga possíveis casos..." são mais indícios da minha existência. Encontro-me perdido, mas o sofrimento alheio m...

lição de um jovem nazista

É a história de alguém que se apresenta feliz, saltitante em quase todos os momentos: "sorridente por ingenuidade", como gostavam de dizer. Ele não precisa de nome, uma vez que a intenção é resumir a vida de quase todos os humanos. Alguns diziam que sofria de obesidade mórbida, já que tinha prazer em engolir as casas ao redor. A casa, refém de nosso personagem, logo se via sem quadros, sem livros, filmes ou bugigangas. Enquanto apenas os bens culturais eram consumidos, todos o julgavam interessante: "apesar de tudo é um garoto sensível!", admiravam. Porém, a ambição crescia dia a dia... e os móveis e eletrodomésticos também desapareciam inexplicavelmente. Depois de alguns dias de ação, o que se via era uma casa vazia e um jovem grande em alegria, que engordava consideravelmente. O interessante é que sempre parasitava uma casa por vez, jamais duas, três, quatro... (não aprendera com Hitler ainda!). Depois de esvaziar tudo que havia, o moço já bastante grande não se c...