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Cachorro Maldito

Poema de Diego El Khouri sobre uma conversa-sarau que fizemos em Santo Antônio de Goiás. Confiram o blog: http://molholivre.blogspot.com/ Vale a pena conferir "molho livre" e "cama surta" AO CACHORRO MALDITO (Por Diego EL Khouri) (Ao Marcos Alves Lopes) Da merda que Marcos fala a merda pura e concentrada é merda real e abstrata essa merda que ele fala. Merda com feijãozinho preto cagando em noites de luar e desejo. Merda com pedacinhos de milho mastigada pelo seu próprio filho. Merda que fala Poesia aquela que ele chama Vida. Na chama que chamisca o dia Merda pendurada do lado de uma solitária pia. Ó Merda que vos fala ó Merda que ele fala ó Merda que eu falo semelhante ao meu falo. Falo que não fala o que falo que eu cago e cago na lata cagar porçãozinhos de amor do cu desabrochando a flor. Merda assim merda assada a Merda que o Marcos fala é poesia abstrata terreno profético dos dias essa merda cantada.

Legião Sem SALvação

REstart, de novo REfigurar REformar REfazer RESgatar REtificar REtardar REligião, LEgião sem SALvação

Lápide

Do caos, só a MERDA restou

quê amador

quando nada mais emocionar nenhuma lágrima correr haverá entre multidões de mensagens enviadas a banda mais bonita da cidade que vem e cora em canto de desabar no amor raro, caro ainda não vivido, sequer ouvido como um encanto poético de oração num resumo de milhares de vidas a ruir contradições, a criar novas oposições e ver na vida sem gozo ou mesmo no inumano que goza na merda que transborda um quê amador

Veja toda gente

Sírio Possenti Ensina a gente Da globo, principalmente Que o errado não é inadequado Que o certo , tão vomitado É só um jornalista desinformado Alexandre Gracinha Leia possenti Que fala A gente Não mente e diz oxente

A morte de Luciene Moreno

Morreu ontem Luciene Moreno Funcionária da limpeza da Escola Municipal Geralda de Aquino Vítima do super-faturamento da merenda escolar De sindicatos mortos - vivos apenas para os próprios anseios Vítima de políticos-sanguessugas Imprensa com placa de "quem paga mais?" Igrejas deus-quer-seu-pouco-seu-tronco-seu-troco Atestado de óbito para leigos: câncer no sangue Luciene, não foi vã sua vida!

ordem natural das coisas

lá fora ruas rangem dentes cariados afiados, prontos a mastigar pele aristocrática ou plebeia ônibus desfilam ao caos entortam avenidas, enquanto bueiros de gente transbordam os parasitas, velhos parasitas homens e mulheres desgovernantes que desviam rotas naturais destroem postos primitivos de trabalho e não arredam o pé da merda-capital eu nessa singela casa em-sábado-de-gozo numa cama amiga sinto ranger unhas felinas no estômago - estou vivo! vejo corpos que gemem estirados sofá adentro há humanidade suficiente ainda exige presença e clama passagem esquenta cada homem derretido a história que retorna num redemoinho volta fazendo um novo curso alheio ao mundo, e natural a ele nessa casa-sossego as janelas estão abertas como cão sem dono ou num suicídio coletivo as ideias são arremessadas a cada gole de álcool propagam, bueiro a bueiro... alimentando olhos, um tanto ébrios, mas sedentos de humanidade Poema dedicado ao apartamento-casa de Heliany, ...