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Freud e as cartas de amor: o contraditório como marca de vida

Freud e as cartas de amor: o contraditório como marca de vida Observando as cartas de Freud a Martha, sua esposa, decidi escrever algumas linhas. O que me veio ao ler a biografia de Freud por Peter Gay foi a relação humana que o pai da psicanálise tinha com Martha, principalmente durante os anos de noivado. As cartas de amor de Freud é realmente mais um delicioso acervo de análise. Ao contrário do que é reproduzido pela ignorância, Freud não era a maldição e, muito menos, santo. Freud manteve por cerca de quatro anos uma relação à distância com a noiva, Martha... Ah, e com apenas dois meses de namoro já estava noivo. Nada mais contraditório, nada mais humano. Ainda, como se sabe, não era uma relação perfeita entre os dois, ao contrário, Freud nutriu bastante ciúmes por ela ao ponto de exigir que passasse a cumprimentar formalmente os primos, apenas pelo segundo nome. Mas, Martha sustentou os dilemas de Freud e possibilitou a longa gestação da psicanálise. O que quero dizer é qu...

O espantalho

People are strange when you're a stranger ( People are strange , The doors) Aqui é campo, mata fechada mesmo! Nasci nessas terras e morei junto com meus pais até o falecimento dos dois. É, pode parecer estranho, mas sou filho único (pelo menos é o que me contaram) e não conheço outras terras. Confesso que não falta curiosidade... A coragem é que deve ter nascido bem longe daqui. Hoje fui tomado por um ato de coragem: a escrita. Minha mãe era professora aposentada de língua portuguesa e sempre dizia que a escrita é uma caminhada: "As quedas são consequências da aprendizagem, Fabiano". Sei disso e concordo com ela... Mas, nesses últimos dias, depois da morte dos meus pais, fiquei ainda mais confuso. Papai e mamãe viajavam constantemente à cidade e sempre me advertiam dos males urbanos - como defesa, jamais me levaram nessas viagens. Entendo o amor deles... Como eles sempre diziam: "amor é um cuidando eterno".  E não é só isso! Meus pais sempre di...

útero vibrante

Deixei meus olhos nos pelos pubianos de minha fantasia é que no útero dos dias há a razão das emoções vibrantes dançando Pelos rosados, o doce virginal das prostitutas Ao leve toque fazem ressoar os antigos dilemas da vida contemporânea antigos, já que cônscios de existência Provar é a via máxima do gozo eternamente incompleto e não é esperar o sábado, domingo ou feriado o gozo é sempre de hoje o principal rival preciso e meticuloso jamais pleno de satisfação E pode ser... meu retorno à estética do gozo (poético) é sinal aberto à razão que se apodera agora de mim

O silêncio dos deuses

Silenciar os mitos é respirar a cor do fracasso do caos ordenar o vazio Meu revestimento plástico é a cara viva não da morte exatamente é a cara, vida da morte são os cabelos longos arrojados de alguém careca - Ordem ao caos! - gritaram opacamente. Os médicos criaram a cura mas não havia doenças os médicos particularizaram os sintomas mas não havia cura O caos reina na ordem do vazio A ordem impera no contraste do caos

carne de coração

no ziguezague do dia um pouco de razão sonho para acordar vivo de batidas e carne de coração

Em um dia banal

Em um dia banal/ fui embalado pela cantata celestial,/ embalagem de natal,/ para ser empalado pelo poder do capital/ pura imprevisibilidade do real!

Prostituição diária

Num mundo corrupto só não se prostitui quem já nasceu embalado pra presente!