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panelas de aço

As panelas se calam quando os cassetetes comem. O couro docente não escuta o som do panelaço. No aço, a marca da colher encobre os braços. Pernas. E não há borracha que apague o silêncio das louças.

Ah, vendo-me

hÁ, de haver, nada existo Ah, mas A ver-me com o que já feito foi, hÁ séculos, deve criar-me sublime mente nA vida deve haver algo ainda por fazer

A-mar

escreve-se na água na alma a salgada esteira da vida Afora isso escreve-se nada e o toque (de letra a letra) move em ondas a água é o mesmo que dizer: sangra-se a língua ao mar diante do infinito, a escritura é chacoalhada, descompassada arde-se, pois, no espaço inconstante das palavras um barco sem remo lançou-nos às idiossincrasias do verbo intransigente mar e, no vai e vem das ondas no toque dos dedos (recortando o infinito) escrevemos o impossível A-mar

nas curvas do dito

nas curvas do dito,   o poder de um poema não se reduz aos versos contidos ali, assim como o poderio de uma guerra vai além de um tanque blindado - eis a força poética além das frestas do léxico, esquinas da vida. é nesse espaço não marcado (flashback de tempos, ou aventuras (in)contidas) que há a possibilidade de esbanjar o recomeço. o poderio lírico é uma semente do descabido . e quando um poema não se finda na pretensa alegria ilusória da única interpretação? é nisso, pois, que reside a acusação ao poeta: falta-lhe Amor! ; a falta da letra maiúscula Amor não denuncia apenas a ausência de um nome próprio, mas (quem sabe!) a inexistência de qualquer realidade possível. a falta de um ponto que absorva o eu, que o faça crer nele mesmo, a própria poesia. contudo, aos poetas que vivem sem chão, àqueles que a realidade - mesma nas diversas criações - está em consonância com a rebeldia incerta do fazer artístico... ora, ora! viverão a inexatidão do vulgo SeR, as malditas ...

pôr do sol à vida

à vida, de um tempo distante (jamais perdido) à vida, marcas de lágrima e pôr do sol à vida, um sol, chuva de tempos (nublado, cinza, azul) Ah, o flamengo vai jogar agora. basta! o jogo da noite, o refletor e a redundância necessária: cerveja gelada.

COPA COLA

Copa Cola?

epitáfio vivo

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Os olhos são epitáfios vivos "Aqui jaz um troglodita!" Perfura a tumba para inscrever o que há além do corpo VERMES Ferve intransigente n' alma um quê de desatenção O nó do corpo camaleão não reflete as retinas E mesmo com toda pompa lixo roupa caixão funeral casamento luxo... os olhos já denunciam lixo humano A leitura do espírito não se apresenta como obra do senhor as  vistas são de quem ama a desilusão o ócio o louvor do nada