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o abismo é logo ali

Cada um ergue a sua bandeira mais alto. Ao tentar levantar mais e mais, o cabo do estandarte esbarra e machuca o vizinho. Eis a máxima humana: cautela ao querer - não é difícil tropeçar no avatar ao lado. 

retidão

amor disléxico toque  sem sexo é o acaso reescrito na matemática científica dos dias anexos

Sociedade Solidão

imagine acertar uma facada em um grande tirano imagine que quase metade da população o reconhecesse como "o intragável" imagine uma facada filmada, fotografada, presenciada pela multidão pois bem, seria como a queda da bastilha, uma grande insurreição mas não! a facada veio em tempo de solidão o tirano não foi alvejado pela massa enfurecida tampouco por um projeto de revolução a faca, caríssimo, entrou das mãos de mais um adepto da solidão (e sequer houve perfuração profunda, vazada, infeccionada...)                                                                                                                                

o inumano de cada um

isto aqui não é uma discussão sobre candidatos presidenciáveis não é tampouco um manifesto de esquerda ou de direita quando os ânimos muito se afloram afirma-se aqui o inumano de cada um talvez a maior heresia do século XXI então, que assim seja, eis aí um estandarte sem séquitos: o anti-humano de cada um! levantar essa questão é um tanto embaraçosa isso porque o século das luzes ofuscou o animal interior e fizeram o humano uma coisinha frágil a ser preservada ora, a lei da preservação das espécies existe bem antes de qualquer revolução burguesa mas não havia ali a negação do animal a dificuldade é ainda maior porque muitos associam o anti-humano às experiências violentas do                                                                                    ...

o que você entende por Literatura?

perguntaram-me como entendo a literatura não soube responder sem lisura e acabei fazendo do óbvio: meu  Trivium mas volto ao assunto não satisfeito hoje me pergunto como retirar da poética a tão esquecida ética? como deixar a escrita a mercê da crítica? as editoras de arte a mercê de encarte? puro embuste não se fala de poesia sem poésis do mesmo jeito que não dá pra defecar sem fezes como falar de poética sem criação sem a palavra "invenção"? é falta de ética ética: de novo repito porque o poético é também um apito que sopra aos ouvidos pra não deixar ninguém esquecido do quão isso tudo é pra lá de esquesito rima é poesia também e a falta dela não deixa o verso aquém quando se poetiza no abismo há o encontro do olvido no bem mais além futuro professor de literatura, poetizar é politizar as palavras é rachar o óbvio é falar o mesmo é esquecer a rima é rimar também é deixar o novo, sem forma, disforme ou dar forma aos velhos clichê...

abatidos

O peso do mundo atingiu os meus ombros, Porque do Rio veio a notícia de mais UMA guerreira abatida. Mari ELLE alterava as rotas de um mundo sombrio. Nesse mundo abatido, MAIS uma vez sentimos o peso do mundo. MariELLE Franco Presente!

amor ao fracasso

Vamos todos assistir ao nosso fracasso Esse dedo podre (e longo) que aponta ao aquífero de coca, a coca preta de açúcar branco, ainda cairá... No mundo vampirazado, repleto de úlceras herdadas, abertas, nossos filhos sobreviverão?! Então, vamos celebrar o fracasso Dos vales De São Francisco Dos montes, dos belos montes Deixemos, pois, essa mão apodrecer Aplaudamos (com as mãos que ainda restam) os dedos macabros ruírem E as minas se acabarem Num cabaré, quem sabe!, Ou em versos (Esse alimento dos desavisados!) Porque de Mariana Mesmo Ninguém se lembrará!