Postagens

Mostrando postagens de maio, 2009

Vaca Estrela e boi Fubá (Patativa)

Vaca Estrela e Boi Fubá Composição: Patativa do Assaré Música: Fagner Seu dotô me de licença Pra minha história contá Hoje eu tô na terra estranha E é bem triste o meu pená Mas já fui muito feliz Vivendo no meu lugá Eu tinha cavalo bom Gostava de campeá E todo dia aboiava Na porteira do currá Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá Eu sou fio do nordeste Não nego o meu naturá Mas uma seca medonha Me tangeu de lá pra cá Lá eu tinha o meu gadinho Não é bom nem imaginá Minha linda vaca Estrela E o meu belo boi Fubá Quando era de tardezinha Eu começava a aboiá Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá Aquela seca medonha Fez tudo se trapaiá Não nasceu capim no campo Para o gado sustentá O sertão esturricô, fez os açude secá Morreu minha vaca Estrela Se acabou meu boi Fubá Perdi tudo quanto eu tinha Nunca mais pude aboiá Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá Hoje nas terra do sul Longe do torrão natá Quando eu vejo em minha frente Uma boiada passá As água corre dos oios Começo logo a chorá Lembro minha vaca Estrela E o meu...

Fábrica Poética

Hoje tentei fabricar poesia! Sentei-me frete à tela E pintei os primeiros versos... Li e vi vazio ali! Reli e estava alva E de tão alva... Eu nada vi!

Soneto de fidelidade

Soneto de fidelidade Vinicius de Moraes Composição: Vinicius de Moraes De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure

Morte do leiteiro

Melancolia poética

Melancolia! espelho poético dos desesperados... Os olhos tocam a superfície intacta e ultrapassam limites A métrica? Fica sempre na primeira estação A rima faz companhia à métrica E a metafísica... Procura o vagão inexistente! Eterna é a busca eterna do ser E a melancolia se aloja no âmago da busca E assim... A poesia segue o humilde trilho da realidade melancólica...

Política literária

Política literária A Manuel Bandeira O poeta municipal discute com o poeta estadual qual deles é capaz de bater o poeta federal. Enquanto isso o poeta federaltira ouro do nariz. Carlos Drummond de Andrade (Algumas Poesias)

e agora josé

Pobre leitor...

Imagem
Pobre leitor... O vento avermelhado soprou o ar da escuridão e a pobreza cá dos vales rompeu a noite Sangue nos vidros... E as portas em completo pânico Queridos desaparecidos Canalhas à postos (não, não era o apocalipse!) Meus olhos já não sabiam fitar o além E arma-esperança havia sido espalhada em poucas mentes E, sem saber o porquê, meus lábios se fecharam! Os lábios não tinham aprendido a beijar Os olhos? Embriagados... E as mãos... sequer mostravam o punho! Mas a esperança estava em mentes perdidas e quando se encontraram... a flor brotou do asfalto! Vi o brotar acontecer... E não houve como os olhos não se encherem d'água Não houve como os lábios se fecharem E as mãos... mostraram o ardente punho! Trás dos vales nasceu a montanha vermelha... E toda esperança se encontrou naqueles seres Agora está aí!? Caro leitor, não sabe explicar sua história... Seu pensamento parece obra do acaso, Deus? Sua vida é um tabuleiro sem peças... E continua nascendo; crescendo... E, o pior, repr...

Reminiscência

Reminiscência A agonia clamou minha presença Abrindo as portas, janelas, abriram os olhos da saudade Percebi a doce textura de suas madeixas e seus olhos turvos (...) Não me serviu ainda o suicídio Trouxe-me, porém, os primeiros instante de minha terna vida Os olhos da saudade esbugalharam A dor humana crescente cresceu E meus pés hoje... Já não sabem mais o retorno

fugacidade sem dia-a-dia

Não quero o amor morno dos lençóis embaraçados Quero a fugacidade do vento Passagem do hoje ao dia...

Eterna busca

Eterna busca A busca de respostas não me veio em brancas nuvens! As pedras da existência continuaram se chocando em plena força e vigor Deixando do atrito o fogo nascer Coexistindo as dores humanas e meus próprios brilhos Hoje caí Trouxe para esse chão gélido a terrível dor humana E, como se não bastasse o fogo do gelo, o seu calor me ofuscou lembrei-me dos seus olhos brilhantes e pálidos e às vezes oblíquos Mas não foi o suficiente para gerar o conforto que sonhei [...] Eterna é a busca eterna do ser...

O eu profundo e o nada

O eu profundo e o nada O sentir se foi na correnteza do seu doce amor E o campim-suave, suave flor, compôs a imensidão oceânica de um campo devastado A dor, então, em um momento de vendaval pujança, esbravejou: "Sou a eterna cor de sua busca!" Abraçei-a e toquei seus finos lábios sentindo o que nos convence de nossa existência...