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Mostrando postagens de março, 2010

um sonho de hoje

Ao mundo de Alice Num sonho de hoje (Água em vinho é pouco!) Alice dedilha na fechadura e não passa porta adentro Dois dedos ou a mão inteira Também tenho mão e recursos mais Não, não entre... Eu, pequeno príncipe nada encantado Faço deleite o que faz de pé Em pernas morenas faço moradas de penas de ganso Consubstanciado e sem rainha de copas Vamos rumo a Santo Antônio de Goiás numa quinta qualquer

Pernas morenas

Nem o bolero de Batatinha Ou sensibilidade de Rita Só Admiro pedras e formigas e beijos de Amelie Escrevo a carta ridícula de amor, Fernando ... Não quero pessoa ridícula Inicio com o pedido de três anos Mas não sei "crianças não namoram" O travesseiro de ontem era de penas de ganso... Meu sono foi Alice quem conduziu Levou-me à terra sem nome Id e Ego já eram príncipes encantados E em fumaças as pernas e as nádegas Embora distantes Eram torradas distraidamente Café? Meu sonho que é só café sossegado em tarde de Parque Flamboyant E quentes são pernas morenas de bicicletas Mas foi ego que acordou sonhando id E escreveu a primeira linha desse filho do acaso As linhas finais não foram traçadas Mas as fumaças em breve serão dispersas em terra distante Sem reticências, sem por quê Porque ontem meus pés sonharam fumaças Talvez por isso Hoje seja só quente com pancadas de chuvas à tarde

Terça de endoscopia

Terça-feira de oito endoscopias (O mundo não se traduz em sentimentos!) Talvez o furo na camada lisa do duodeno Tenha mais sangue que cruz às costas de judeu Seja mais forte que sofrimento latino em noite veloz Kubrick arrasta a laranja mecânica impiedosamente Deixando apenas o alaranjado gástrico dominical Baleiro, profeta do inevitável! Olho para baixo e não vejo o macho Tesão virou barriga Pensando passado Não consigo distinguir se era doce ou cinza ou maçã Mas quando ergo a cabeça Em busca da tola esperança que conduz os mortais Vejo apenas o véu grego em pedaços Carrego meu corpo rumo a terça de endoscopia E mais uma vez corro à tabacaria Devia esquecê-la? Pensar na impossibilidade de tabacaria no Brasil (Clima e condições sociais) Mas não, quero alçar voo E só sinto o peso terrível de minha incredulidade Terça faminta As lembranças me povoam Sinto apenas o gosto dos pés que não toquei Diria que mulher se trata em correntes? Hoje Álvares voltou a reinar E não queimei as bruxas de ...

Sobre uma poesia bunitinha

Sobre uma poesia bunitinha Só Degusto o comentário tardio Jamais cantaria esse agora Não fosse a gota À beira da queda Mas amor não são palavras Empalhadas e presas ao varal do tempo À espera do vento que as leve (Na igreja silenciosa Sentimentos escorriam Entre ralos lacrimejantes Como esconde-esconde de olhares) À placa, maranata E eu, só Venha minha amada Orei ao impossível Para ser passado O que salivou outrora Mas sem instintos Boçais idealistas Imitavam cães diariamente -Metafísica nenhuma, proclamo! Fé, só nos pés que calçam o chão Perfuro a matéria esclerosada Para resistir rugas passadas

Escrúpulos

A rotina conduz incrivelmente ao álcool Mas é o fracasso Que bebe o líquido amniótico E é alcoólatra Não tenho talento à maiêutica E álcool parece canções celestiais Sem escrúpulos morais À procura do sagrado sacrilégio Transito entre mortais Traçando meu próprio remédio E em alças frutíferas Vivo à sorte poética Acinzentando o agora

Kistorinha

Kistorinha Ego acordou sonhando Id. (Narciso ama demais e não sabe espelho, espelho meu, existe alguém mais belo que eu?) Belo é super-homem! É que Ego descobriu que não era homem e viver sem querer é dizer que sabe até nadar em cacos... Acontece que os rios se multiplicam e já não são espelhos porque cacos dilaceram pé trabalhador.Foi isso! Queria ser K. Acordou e não era besouro, porque os tradutores não são besouros e nada sabem de insetos. (E não procuram espelho!). Talvez só tenha enamorado Alice sendo K. Pensando nisso, coragem faltou para se levantar. Era perigoso demais! Podia ter um porco na sala falando revolução que não há. Ou mesmo ser acusado por forças desconhecidas, forças de porcos. Mas K lembrou-se que os comedores de lavagem só falam quando ninguém os ouve e ele ouvia bem. Ouviu inclusive Gatos que estavam perdidos e caminhavam tranquilamente. Até da televisão ouviu beethoven ... Mas não deve se importar com irmãos, mesmo que grandes de 84... Lembrou-se que para ser I...

Quente que fumaça

Meu olhos não excluem metafísica nenhuma E mesmo com a tabacaria fechada Tomo chocolate Meu ódio é só amai ao próximo Como a ti mesmo! Desse amor as árvores caem E explode uma bomba no Iraque Contaram que os corvos Querem chocolate frio em canecas quadradas E eu talvez nem queira que Cuba volte ao mapa Ou que o Afeganistão perca o véu americano Mas confesso Que cigarro Preso à boca de mulher aristocrática Me excita profudíssimamente Não, não é o cigarro Nem o cigarro preso à boca Nem mulher aristocrática Mas a fumaça que é chocolate quente e café Porque sobe beijando tudo quanto há Faz teto, amante E atravessa amando Gessos, portas e janelas Não digo que é azul aquilo que não tem cor Mas vou azul Quando sei quente Quente fumaça que fumaça Fumaça

poesia bunitinha

Num dia desses Pediram uma poesia Poesia miudinha (bunitinha!) Que falasse de amor Mas não sei falar amor Aprendi a ouvir E já até o vi Bem longe Em lábios de outrora Versos se colhe cinza entre gravetos E é tirania impor ao pai Gravidez de amor

Em fumaças

Enfurnei em mim E em mim é profundo Mas não poço fundo que impeça o salto Sabor invade narinas que é escola Corpos nus me fazem lembranças Lágrimas e zombarias Mas era atrás dos muros Que intrigas não faziam ouvidos E os corpos atraídos Tocavam lábios dispersos Marcela Ou Carla Ou Lorena Crianças não namoram (só choram?) A igreja Suzana O diabo tem nome sacro Mora aos fundos e em banheiros (banheiros infernais?) Febres varginais Cruzavam pernas sem cuidados Traduzidas em ínfimas carícias Despercebidas ao culto profético Tinto suave? (Porque quando não há doce Suave torna o dia pudoroso Obrigatoriamente!) Corri, chorei, bebi E só agora, percebo Transas enfumaçadas de mim