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Ipanema voltou

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Ontem não via mais que um dedo deslocolado do corpo meus olhos de areia não contemplavam a feição dos docentes E diziam que era impossível ver o rosto de ipanema diziam que ainda não era hora Mas falaram em greve e cortaram meus cabelos encaracolados (Sem cabelos aos olhos... vi lábios torneados!) e a greve, menina que passa passa massacrando partidos políticos a greve, mulher que passa passa pisando em pés de sindicatos dormentes E cheia de graça esbraveja o justo grito "O piso é pouco!" É a marcha proletária contÍnua 1848 em pleno século XXI Brilha não só o rosto da menina greve reluz a pele de sol garganta calejada pernas grossas e bolhas aos pés (Já não estamos sós, Jobim) Hoje a greve é toda ipanema (perfeita!) perfeita no mundo material porque o corpo dourado é luta de sol a sol À mesa com brecht e Maiakovsk não deixaremos Ipanema partir! Esse poema faz referência à vitoriosa greve dos trabalhadores da educação iniciada no dia 20 de maio de 2010 em Goiânia-GO.

Sábado de fazenda

hoje estou vestido de sexta abro minhas pastas para saber que as camas não foram feitas deixo a porta aberta (sem razão alguma) deitado na cadeira que permite apenas o sentar engato sexta e sou café em almoço hoje é sexta-feira e, ironicamente, estou de sesta o xadrez pula à tela meus adversários são queridos amigos de sangue e a casa cheira daniel de foto e (são olhos negros de ouro!) e digo: a sala é toda minha infância, digo sou hoje um contista quase um romance resolvi paralisar meu momento de poltrona para sonhar entorpecido hoje as drogas são segunda segundo ou último plano e minha sexta já é toda sábado de fazenda

Jesus sorriu

Verdade falsea qualquer verdade nua Mergulhada num passado obsoleto Meu coração é circunferência perfeita 360 homéridas estão inscritos em mim Mas não há gene de graus E nenhum discípulo Declara meu nome em vão Eu, Aquiles, não choro! Meus passos estremessem grécia Moderna, antiga De ouro ou deuses Sou Aquiles e Héracles E me nasceram Jesus Filho de Zeus (javé se quiser) Mãe não é promíscua (não pode ser!) Só desposa Zeus E ama um safado dito santo Aquiles da galileia Sou Jesus da Jônia Héracles de Maria e José Minha Ilíada não tem homéridas E Paulo foi expulso da bíblia Sou Zeus Pai Filho E meu espírito Pode santificar sua mãe Mas não me faça rir Com redenção de humildes Aquiles entra em transe Quando Jesus e Héracles Salvam tolos do paraíso

volto pound

história é sangue num corpus circular dados passos largos às vezes curtos vou e volto sempre diferente sou néctar carregado de flores diversas Não passo de um masaico sem cor de versos alexandrinos voo mas quando desço minha caminhada é corpo poundiano

de cabelos caramelos

não quero chocolate! sou belo o bastante e tenho cabelos caramelos Morrer é viver só num sábado de fazenda penso epopeia não cheiro poemas sou o outrora (degustei todo caramelo!) Meu amor foi um pequino amor meu reminiscências de vidas instantes passados Canto como criança com sono fabiano de graciliano e qualquer amor forçado de caetano a leoni me faz conduzir um andor!

veiga, gonçalves e edgar

minha terra não é plantiplanto nem tem sabiá os gatos que aqui me assustam são pretos como os de edgar

poética de tolo

poética de tolo nietzdamente via agora vou derretindo o devir pré-homérico é mourão que separa mar e não há nada mais antigo que susana em elegia de cárcere não só! fosse helena ou alice por homero, gerardo ou alencar seria todo de mello e ao mourão que separa uma invenção dançaríamos joyce e eu meu palimpsesto é mais uma poética idiota! estático completo fechado sou que não nasci espaço de romance é memória não escrita e lírica continua em guardanapo amassado o que antes epos derrama no devir